A instituição do bipartidarismo - História das Eleições

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A instituição do bipartidarismo - História das Eleições

Podcast por Reginaldo Dias em 07/10/2020 - 12:30

O História das Eleições é apresentado pelo professor e historiador Reginaldo Dias.

Ouça o 13º episódio:

Olá, pessoal, em nosso encontro de hoje vou abordar com vocês as mudanças no sistema político que o regime militar estabeleceu após 1964.


Em abril de 1964, os militares depuseram o presidente João Goulart e tomaram o poder. Muitas mudanças aconteceram em seguida. De início, alguns dos adversários do novo regime perderam os direitos políticos. De Maringá, o político alcançado por essas medidas foi o vereador Bonifácio Martins. Indiciado em um inquérito policial militar, por medida de segurança, ele se viu forçado a abandonar o mandato e a se evadir da cidade. Em 1969, o deputado federal Renato Celidônio teve o mandato cassado.


Em 1965, o novo regime estabeleceu as novas regras eleitorais. Primeiro, foram extintos os antigos partidos e foi criado um sistema bipartidário. Estavam autorizadas a funcionar duas legendas, uma de apoio ao governo federal, a Aliança Renovadora Nacional - ARENA, e outra de oposição, o Movimento Democrático Brasileiro - MDB. Logo depois foram abolidas as eleições diretas para presidente da República, para governadores e para prefeitos de capitais. Nas cidades do interior, como era o caso de Maringá, as eleições a prefeito continuaram a existir e foram muito disputadas.


Com isso, os políticos que se mantinham ativos tinham que escolher entre as duas legendas. Em Maringá, como demonstrou um estudo do professor José Carlos Alcântara, a ARENA nasceu forte, atraindo os membros da UDN, do PSD, do PR e do PDC. O MDB atraiu, principalmente, os membros do antigo PTB, como o deputado Renato Celidônio e o vereador e depois deputado Silvio Barros. Também houve a incorporação de alas minoritárias de outros partidos, como exemplifica a adesão do vereador Renato Bernardi, egresso do Partido Democrata Cristão.


Esse sistema criava situações indigestas, pois antigos rivais, como o ex-prefeito João Paulino e o deputado Haroldo Leon Peres, que eram líderes de seus respectivos partidos, tinham de coabitar agora mesma legenda, a ARENA. Para acomodar essas divergências internas, o novo sistema abrigava o que se chamou na época de sublegenda. Isso permitia que cada legenda pudesse lançar até três candidatos a prefeito. Estranho? Difícil de entender? Melhor deixar para explicar como isso funcionava com os exemplos concretos de cada eleição.


Garanto para vocês que, apesar de o sistema ser complicado e engessado, as eleições municipais de Maringá continuaram a ser muito disputadas e empolgantes, gerando episódios saborosos. Fique conosco que vou narrar cada uma dessas eleições em nossos próximos encontros.