O procedimento inédito realizado no Paraná traz esperança para pacientes com lesão na medula em todo o país. A aplicação da polilaminina foi realizada na Santa Casa de Maringá nessa quinta-feira (8). A substância foi desenvolvida no Brasil e está em fase de pesquisa para a regeneração da medula espinhal.
O paciente que fez o procedimento inédito sofreu um acidente em 18 dedezembro, em Colorado (a 87 km de Maringá). Juarez Rocha de Almeida pilotava uma motoneta em uma rotatória, em baixa velocidade, quando foi atingido por um carro. Os socorristas encontraram o aposentado com a perna queimada pelo escapamento, mas ele não sentia nada nos membros inferiores. Juarez foi trazido pelo helicóptero do Samu a Maringá, onde permanece internado na UTI da Santa Casa. Os médicos constataram que houve fraturas cervicais e lesão na medula, o que provocou tetraparesia, com perda significativa dos movimentos e da sensibilidade do pescoço para baixo.
Segundo o filho dele, o cirurgião-dentista, Felipe de Almeida, foi necessária autorização judicial para que o procedimento em teste fosse realizado. [ouça o áudio acima]
A polilaminina é uma proteína desenvolvida na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sob responsabilidade da médica e pesquisadora Tatiana Sampaio, que deu início a essa pesquisa há quase três décadas. [ouça o áudio acima]
O neurocirurgião Bruno Alexandre Cortes, um dos médicos responsáveis pela aplicação no paciente em Maringá, explica que a polilaminina foi administrada por punção percutânea, técnica semelhante à anestesia raquidiana. [ouça o áudio acima]
Os resultados iniciais têm sido considerados promissores. [ouça o áudio acima]
Para a equipe da Santa Casa de Maringá, o procedimento representa um marco para a medicina no estado, reforça a neurocirurgiã Katia Nakamura, chefe do serviço de neurocirurgia do hospital. [ouça o áudio acima]
O residente que propôs o tratamento, Victor Parmeggiani, falou sobre o trabalho multidisciplinar do hospital. [ouça o áudio acima]
Com a autorização da Anvisa para os testes clínicos, a expectativa dos pesquisadores é que a polilaminina avance nas próximas etapas de pesquisa e represente, no futuro, uma nova abordagem terapêutica para milhares de brasileiros com lesão medular.
Colaboração de Brenda Caramaschi.