Condenação

Júri em Maringá condena pai de Eduarda Shigematsu a 23 anos e absolve avó

18/09/2026 / Atualizado em 18/09/2026 Por Thiago Danezi
Júri em Maringá condena pai de Eduarda Shigematsu a 23 anos e absolve avó
Foto: Reprodução.

O Tribunal do Júri de Maringá, no Norte do Paraná, condenou nesta quinta-feira, 17, Ricardo Seidi Shigematsu a 23 anos, 6 meses e 22 dias de prisão pela morte da filha, Eduarda Shigematsu, de 11 anos. A avó paterna da menina, Terezinha de Jesus Guinaia, foi absolvida das acusações.

O julgamento, que começou na quarta-feira (16) terminou nesta quinta após mais de sete anos de espera e oito adiamentos. O caso aconteceu em Rolândia, também no Norte do Paraná, em abril de 2019.

Durante o júri, Ricardo confessou pela primeira vez que matou a própria filha. A admissão ocorreu durante o interrogatório, quando ele confirmou a autoria do assassinato e, na sequência, informou que permaneceria em silêncio. A confissão representou uma mudança em relação à versão apresentada por ele desde o início da investigação.

Além da pena de prisão, a Justiça determinou que Ricardo pague R$ 90 mil de reparação mínima por danos morais à mãe de Eduarda.

Já Terezinha, que respondia por ocultação de cadáver e falsidade ideológica, foi inocentada pelos jurados. Ela tinha a guarda judicial da menina na época do crime e chegou a ser presa durante as investigações, mas respondia ao processo em liberdade.

Relembre o caso Eduarda Shigematsu

Foto: Reprodução

Eduarda Shigematsu desapareceu em 24 de abril de 2019, em Rolândia. Na época, a menina tinha 11 anos. Segundo as informações levantadas durante a investigação, ela voltou da escola para casa naquela manhã, deixou a mochila no sofá e não foi mais vista.

Uma câmera de segurança registrou a chegada de Eduarda à residência por volta das 11h52. Não há imagens dela deixando o imóvel.

No dia seguinte, Terezinha de Jesus Guinaia, avó paterna e responsável pela guarda da menina, registrou um boletim de ocorrência comunicando o desaparecimento.

O corpo de Eduarda foi encontrado no dia 28 de abril de 2019, enterrado nos fundos de um imóvel da família, em Rolândia. A menina estava com os pés e as mãos amarrados, uma corda no pescoço e a cabeça envolvida com um saco preto e uma toalha.

O laudo da Polícia Científica apontou que a causa da morte foi esganadura, contrariando a versão apresentada inicialmente por Ricardo. Na época, ele afirmou ter encontrado a filha morta por enforcamento e que teria ocultado o corpo por medo de ser responsabilizado.

A perícia, porém, identificou lesões compatíveis com esganadura. Um documento pericial mais recente, juntado ao processo em 2025, também reforçou a conclusão de que a morte não havia ocorrido por suicídio.

Ricardo foi preso ainda em abril de 2019. Ele respondia por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica.

Terezinha respondia por ocultação de cadáver e falsidade ideológica. Segundo a acusação, ela teria contribuído para dificultar as investigações sobre o desaparecimento da neta. A defesa, por outro lado, sustentava que ela não participou da morte nem da ocultação do corpo e pedia sua absolvição.

O julgamento realizado em Maringá foi marcado por uma longa tramitação. Desde 2022, a sessão havia sido adiada oito vezes, até que finalmente começou nesta quarta-feira (16).

Com a decisão desta quinta-feira (17), Ricardo Seidi Shigematsu foi condenado pela morte da filha, enquanto Terezinha de Jesus Guinaia foi absolvida das acusações que enfrentava no Tribunal do Júri.

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