Janeiro Branco: a luta pela saúde mental
Imagem ilustrativa/Pixabay/domínio público

Opinião

Janeiro Branco: a luta pela saúde mental

O comentário de Gilson Aguiar por Gilson Aguiar em 13/01/2020 - 08:30

Dados preliminares do Ministério da Saúde mostram um aumento no número de mortos por substâncias psicoativas (álcool, fumo, consumo de drogas ilícitas). O número de mortes em 2018 foi de 910 pessoas, no Paraná. Comparado com 2017, quando 752 óbitos ocorreram pelo mesmo motivo, o crescimento é significativo. 

O levantamento é feito desde 1979. O que nos permite ter um quadro do quanto este tipo de morte está relacionada à depressão ou transtornos mentais dos mais variados. No Brasil, em 2017 foram 12.858 mortes, enquanto em 2018 o número se elevou e chegou a 13.713. 

Para combater as doenças mentais e reduzir os números de pessoas que tiram a vida por causa de transtornos mentais e consumindo substâncias psicoativas foi instituído o “Janeiro Branco”. 

O mês de janeiro não foi escolhido ao acaso. Nele está um dos momentos mais difíceis para muitas pessoas. O balanço do ano que se passou e o início de um novo ano. Momento em que muitos se sentem deprimidos, depressivos, angustiados pelo que não conseguiu realizar no ano que passou e angustiados com o novos ano.

Somos cobrados o tempo todo para obter respostas. Não conseguimos sair do isolamento em que nos envolvemos pela proporção particularizada dos estímulos e cobranças que nos são feitas. A exaltação do “EU” tem seu preço. 

O homem ensimesmado paga caro pela sua existência. A plenitude de uma vida satisfeita no mundo pessoal nos tira a dimensão do quanto somos resultado de uma coletividade. De que há uma sociedade a nossa volta e que nos relacionamos com ela o tempo todo. Mais que isso, não podemos ter tudo e fazer tudo ao mesmo tempo. 

Temos que responder pela nossa vida, isto é fato. Mas não somos o centro do mundo e a medida para todas as pessoas. A condição de “juízes absolutos” que nos dá a sensação de que podemos apontar o dedo para quem quisermos, também nos coloca frágeis como algo de crítica e cobrança.

Não por acaso que na atualidade usamos o eu como resposta e como condenação. Sempre estamos lidando com a força de um indivíduo que pode sair de qualquer problema se “autodescobrindo”, buscando forças “em si mesmo”, sendo o senhor da sua vida. Esta lógica é superficial, empolgante e perigosa. 

Temos que ter o controle de nossas vidas na dimensão do que podemos administrar, escolher, nos posicionar. Porém, há muitas coisas que não controlamos, que não depende de nós e que não devem ser medida para condenar o absolver nossos atos. Sendo assim, não podemos nos eximir de agir, de escolher, de tomarmos medidas e ter uma ação, uma posição. Mas não podemos levar nos “ombros” pesos que não nos cabem.