Em nove meses, prefeitura compra 28% das vagas previstas para creches
Agência Brasil

Fila na Educação

Em nove meses, prefeitura compra 28% das vagas previstas para creches

Educação por Victor Simião em 21/11/2019 - 19:30

Três credenciamentos foram feitos e o objetivo era chegar a duas mil matrículas em Maringá. Até o momento, município conseguiu 572.  Vinda de outra cidade, uma mãe ouvida pela CBN teve que deixar o filho com a avó porque não conseguiu vaga para ele em um Cmei. Município diz estar com boa expectativa para nova fase de credenciamento.

Há seis meses em Maringá, a diarista Thais Garcia, de 25 anos, tem vivido com saudades. Ela, que veio de Paraíso do Norte, teve de deixar o filho, Bernardo Garcia, de dois anos e seis meses, com a avó. Thais não conseguiu vaga para ele em um centro de educação infantil na cidade.

Atualmente, a fila tem 3 mil e 500 crianças aguardando vagas. Não existe obrigação para matricular alunos de até três anos nas escolas, mas o prefeito Ulisses Maia prometeu, em campanha, que zeraria a fila. Desde 2017, ele vem tentando criar soluções para resolver a situação. O município, neste ano, após um longo processo licitatório, começou a comprar vagas em creches particulares para alunos de 0 a 3 anos.

O objetivo, em um primeiro momento, era o de comprar duas mil vagas. De fevereiro até agora, entretanto, apenas 28% do total foram adquiridos: o que resulta da em 572 matrículas. Três chamamentos foram feitos. Um quarto está previsto para o dia 09 de dezembro.

O Sindicato dos Servidores Municipais considera a medida uma forma de privatização. Mesmo assim, o município decidiu adotar a compra de vagas para tentar amenizar a fila. O valor mensal pago por matrícula é de R$ 1.287,79, e as crianças ficam o dia todo na escola.

A CBN Maringá solicitou uma entrevista com a responsável pelo credenciamento das escolas. A reportagem questionou qual a maior dificuldade das instituições em fazer o credenciamento e se o município tem pensando em outras formas para zerar a fila.

Por meio de mensagem de texto, a pessoa responsável informou que nem todas as escolas que tentaram estavam aptas para atender as exigências do edital, e que está com boa expectativa nessa nova fase de credenciamento em dezembro. Por outro lado, a responsável não explicou exatamente o que seria boa expectativa. Quanto a alguma outra forma de resolver o problema, a CBN não obteve resposta.

A Thais Garcia, enquanto isso, espera que pelo menos em 2020 o filho consiga uma vaga em algum centro de educação.

A Defensoria Pública de Maringá vem monitorando a situação e até criou um “crechômetro” para acompanhar a fila de crianças.