Quanto a gente vale e qual o valor que nos damos?
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Opinião

Quanto a gente vale e qual o valor que nos damos?

O comentário de Gilson Aguiar por Gilson Aguiar em 14/12/2020 - 08:45

Nada fácil ficar desempregado diante de uma crise com a que estamos atravessando. Ao mesmo tempo em que há a perda do emprego, com todos os problemas que ele acarreta, a busca por uma nova vaga de trabalho neste ambiente é muito mais difícil. As empresas estão demitindo mais que contratando. 

Contudo, no Brasil as coisas não são uma padrão. Isso deve sempre ser algo que temos que ter em mente quando analisamos os efeitos econômicos da pandemia. Em relação ao desemprego não é diferente. 

Um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de agosto a novembro deste ano, mostra que o desemprego cresceu no país 27,6%. O país tem agora mais de 12,3 milhões de desempregados. A distribuição do desemprego é desigual para as regiões.

A região norte e nordeste tiveram o maior aumento do desemprego, 14,3% e 10,3% respectivamente. Já na região sul ocorreu uma queda do desemprego, 2,3%. Ou seja, na região mais pobre o desemprego aumenta, em áreas de melhor renda o efeito é menor? Não necessariamente. A questão fundamental é a qualificação e nível de atividade econômica. 

Em alguns setores que dependem de uma mão de obra menos qualificada e que tiveram suas atividades mais afetadas a taxa de desocupação é maior. Demitir e recontratar tem custo baixo e muitas vezes nem é registrado. São trabalhadores sazonais. A baixa produtividade destes trabalhadores os tornam dispensáveis da cadeia produtiva em tempos de crise e de fácil reposição quando necessário. 

Esta realidade só vai mudar nas próximas gerações se a atitude for tomada agora. Investir na melhora do ambiente de vida destas populações e promover a melhora na qualificação. Em regiões mais pobres o crescimento da miséria gera dependência e leva à exploração excessiva de um trabalhador sem opção. 

A liberdade de um ser humano está em sua capacidade de opção e de poder promover a própria vida através do trabalho. Manter a miséria é uma indústria perversa da exploração e corrupção no país. Um incentivo à informalidade, uma massa de seres humanos que estão disponíveis para um trabalho análogo a escravidão. Há que se ter cuidado com isso.