Poder não é liderança
Imagem ilustrativa/Pixabay/domínio público

Opinião

Poder não é liderança

Por Gilson Aguiar em 26/06/2019 - 08:25

Quantos não almejam o poder? Mas ter poder não é para qualquer um. Saber utilizar de forma eficiente a força e dar a ela um sentido é algo que poucos tem. Quando se tem, além de tudo, um cargo de liderança, as condições de comando acabam deixando tudo mais complexo. Isto mesmo, poder e liderança nem sempre estão juntos. Há quem é líder e não tem poder e há quem tem poder sem ter a liderança.

Contudo, a ambição do comando seduz. Pessoas se dedicam para conseguirem ter influência e impor seus interesses. Lutam de forma habilidosa e utilizando todos os meios possíveis, nem sempre todos lícitos, para a conquista da força tão almejada. Porém, o grande desafio é manter-se. Garantir a permanência no poder. Se sustentar à frente de um grupo de pessoas, uma coletividade, uma sociedade e ser reconhecido.

Na política, habitualmente, se deseja o poder. Por isso, se quer a vida pública. Ela não pode ser vista com a retórica da filantropia. O discurso de agir em prol da sociedade quase sempre contamina e influencia a escolha. Mas aquele que se propõe a fazer política está interessado de forma intensa, mesmo que não exclusiva, na força de decisão sobre a vida dos demais.

Logo, temos que entender a política como um jogo de forças da qual nós participamos. Porém, se dedicar a vida pública implica em ter habilidades que nem sempre temos na vida comum. Logo, a liderança e o poder não são funções e condições que todos podem assumir. Muitos que chegam ao poder não conseguem mantê-lo. Acabam por não ter as decisões lógicas na manipulação das forças que o sustentam.

Há aqueles que conquistam a liderança legítima, porém, por falta de habilidade e lógica de manter-se, a condição de negociar com as demais forças políticas que sustentam o líder, se perdem e são submetidos por outros. Estes, os que manipulam o poder, mesmo não tendo o título, assumem o comando. Fazem do líder legítimo uma marionete. Ele fica sequestrado no comando da sociedade. Acaba por expressar a fraqueza que se desfaz e ao ser substituído jamais retorna.

Por isso, a liderança encanta e o poder seduz, mas não podemos esquecer que eles não são para todos. Há que se ter capacidade de saber lidar com as condições que mantém o comando, que dá ao líder a força de decidir. Sem estas habilidades, podemos nos encantar pelo poder, mas ele será apenas um desejo que não realizaremos por falta de preparo.

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