Médico propõe lockdown de positivados
Imagem Ilustrativa | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Coronavírus

Médico propõe lockdown de positivados

Saúde por Luciana Peña em 26/02/2021 - 08:55

Segundo especialista, o isolamento monitorado das pessoas contaminadas pelo novo coronavírus pode começar a reduzir a taxa de contágio em duas semanas. Atualmente, 90% dos contaminados cumprem  a quarentena em casa, mas acabam contaminando familiares e até outras pessoas, porque furam o isolamento. No atual ritmo, diz médico, nem o lockdown da cidade inteira vai impedir o colapso da saúde.

É uma conta matemática. Por dia, em média, Maringá confirma 200 novos casos de coronavírus. Destes, de 10 a 15% vão precisar de hospital. 5% vão precisar de UTI.
Em dez dias, dois mil casos, 100 leitos de UTI. Os pacientes estão ficando mais tempo internados.

A taxa de ocupação dos hospitais já atingiu 100%. O colapso da saúde é um risco iminente. Não existe sistema de saúde capaz de absorver tantos doentes em tão pouco tempo.

Para frear os números, o município restringiu atividades.

Fala-se até em lockdown. A CBN pediu uma análise do cenário ao cardiologista e intensivista Afonso Akio Shiozaki, doutor em ciências pela faculdade de medicina da USP.

No ano passado, num dos momentos críticos da pandemia, mas não tão crítico quanto agora, o médico sugeriu o isolamento em hotéis de pacientes positivados, mas sem sintomas. A prefeitura chegou a abrir 80 leitos no Hospital Municipal, mas os leitos não foram ocupados e a ala acabou desativada.

Isso porque as pessoas que são contaminadas pelo coronavírus preferem se isolar em casa.

E é aí que mora o perigo. O isolamento domiciliar, por mais que seja monitorado, via telefone, por equipes da Secretaria de Saúde, não é cumprido à risca.

Isso explica por que famílias inteiras são contaminadas. E por que a taxa de contágio está acima de 1, ou seja, fora do controle.

O médico propõe o lockdown dos positivados. O que faria baixar a taxa de contágio a partir da segunda semana. Bem mais eficiente do que um lockdown da cidade inteira, que segundo o médico, só produz efeito após dois meses. [ouça no áudio acima]

Mas como incentivar as pessoas a se isolar voluntariamente. Por que não utilizar os recursos que a prefeitura tem disponível para a compra de vacinas? Afinal, se a vacinação fosse em massa neste momento, realidade que está bem distante, o efeito só seria percebido após 45 dias. E o sistema de saúde não tem esse tempo todo. [ouça no áudio acima]

A CBN entrou em contato com a Prefeitura de Maringá para saber se há previsão de reativação de ala para internação voluntária de pacientes positivados sem sintomas.

Atualizado às 15h30 - A prefeitura informou que toda a estrutura da ala para internação voluntária foi transferida para atendimento de pacientes graves na UPA Zona Sul. Os último móveis serão transferidos na terça (2) e quarta-feira (3).