Liberdade é fato e não idealismo
Imagem ilustrativa/Pixabay/domínio público

Opinião

Liberdade é fato e não idealismo

O comentário de Gilson Aguiar por Gilson Aguiar em 21/04/2020 - 09:25

A luta pela liberdade não pode ser uma retórica

Hoje é o dia de lembrarmos José joaquim da Silva Xavier, o “Tiradentes”, militar, Alferes, um segundo tenente nas patentes de hoje. Lutou pela liberdade do “Brasil” no idealismo histórico. Mas efetivamente suas intenções se concentravam na região sudeste, o eixo entre Vila Rica e o Rio de Janeiro. A mineração decadente do Século XVIII e a capital da colônia. 

Além de militar de patente baixa e limitado pela nacionalidade brasileira, o que lhe impedia de ascender dentro da hierarquia militar, “Tiradentes” complementava sua renda como dentista prático, se é que se pode chamar o tirador de dentes assim. No período colonial a preservação dos dentes era raro. Tirá-los por causa dos problemas da falta de higiene era comum. Trabalho não faltava, o que deu o nome do herói pátrio.

Nos seus deslocamentos entre o Rio de Janeiro e Minas Gerais, trazia encomendas para amigos e interessados, um muambeiro, como militar não seria pego na alfândega estabelecida para controlar o escoamento de ouro. Com um salário relativamente baixo, o alferes busca alternativas. Neste ponto, expressava o herói muito do que o povo ainda expressa. 

Tiradentes participou de uma conspiração contra o governo português em uma Minas Gerais marcada pela exploração aurífera em decadência. O arrocho metropolitano se dava pela pesada carga tributária e um grande endividamento da população de extratores. A revolta a qual Tiradentes participou não foi popular. Se é que se pode chamar de revolta, não houve levante armado, apenas conspiração.

Mas apesar dos poréns do herói elevado e lembrado após a proclamação da república, 1889, Joaquim José da Silva Xavier simboliza a busca pela liberdade, que menos que um ato, é a construção diária. Feita ao longo da história. Vitoriosa de forma ampla após a reabertura, em um processo doloroso e consolidada pela Constituição de 1988 e expressa no processo de escolha nas urnas. 

Tiradentes deve ser lembrado, pois o que está associado a ele nos é caro, a democracia, a liberdade de expressão e o estado democrático de direito, de forma ampla. Isto é o que não devemos esquecer hoje.