Gilson Aguiar: 'trânsito instintivo pode matar'
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Opinião

Gilson Aguiar: 'trânsito instintivo pode matar'

Por Gilson Aguiar em 12/07/2018 - 08:00
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O número de acidentes de trânsito em Maringá cresce vertiginosamente. Mais duas mortes ontem. Isto porque um atropelamento já havia ocorrido no final de semana. O excesso de veículos e o desrespeito às leis de trânsito se acumulam. Não por acaso, o número de carteiras cassadas e apreendidas cresce. A imprudência é o principal fator da violência no trânsito.

Sempre estamos afirmando a necessidade de que as pessoas sejam mais educadas na condução de seus veículos. Porém, se estimulamos o desrespeito e mantemos a impunidade, a falta de educação impera. Queremos a gentiliza e premiamos a imprudência. Há um grande número de pessoas circulando com a Carteira Nacional de Habilitação cassada. Muitos, com ela vencida.

Em conjunto com a falta de uma punição eficiente, exemplar, há o ambiente favorável ao automóvel e que coloca em risco pedestres, ciclistas e motociclistas. Já passou o tempo de uma política de mobilidade que promovesse a diminuição de carros e motos. Gerar eficiência no transporte coletivo. Criar um ambiente seguro para pedestres.

Cada um quer se locomover no trânsito com a menor dificuldade possível. Atender seus interesses, chegar o mais rápido no local desejado. Se colocarmos o transporte individual como prioridade, este desejo particular, típico da natureza humana, irá se sobrepor ainda mais. O transporte coletivo tende a reduzir o poder do indivíduo e conter seus impulsos.

Aos termos como principais meios de transporte o automóvel ou a motocicleta, em um trânsito com um grande fluxo de veículos e limitações de espaço, estamos contribuindo para despertar o instinto e não a racionalidade nos seres humanos. Não há educação que prevalece em um ambiente de conflito. Na tensão cotidiana de todos contra todos.

Vamos continuar assistindo cada vez mais acidentes com mortes, caso não tenhamos uma política de mobilidade urbana voltada para o transporte coletivo. Se não tivermos um planejamento urbano que priorize o pedestre e facilite seu deslocamento com segurança e eficiência vamos continuar colhendo problemas. O automóvel dá a falsa sensação de segurança, de proteção. Isto é uma ilusão diante do número de pessoas que ficam feridas ou morrem em um trânsito como o de Maringá.

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