Gilson Aguiar comenta o retorno dos radares em Maringá

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Gilson Aguiar comenta o retorno dos radares em Maringá

Por Gilson Aguiar em 08/02/2018 - 09:31

Agora, dia 15 de fevereiro, os radares de controle de velocidade voltam a funcionar em Maringá. Vários pontos da cidade terão o monitoramento eletrônico. São 21 trechos definidos.

Para alguns motoristas o retorno é desagradável, indesejável e irritante. Para alguns poucos é a segurança dando sinal de vida em um trânsito violento. Os radares de velocidade fazem efeito. Eles reduzem, segundo pesquisa do Departamento de Trânsito, os acidentes em mais de 70%. O mecanismo funciona.

Outro aspecto, levantado pelos motoristas, é a tal “indústria da multa”. Multar motoristas que abusam da velocidade gera recursos aos cofres públicos, uma verdade. A indústria da multa existe, mas pune quem merece. Contudo, rende. A quantidade de acidentes de trânsito no país, que se compara a número de mortos em uma “guerra civil”, não pode ser desprezada.

Mas no centro deste debate está o automóvel. Um bem com custo social elevado e em contrapartida um lucratividade econômica elevada. O quanto o automóvel movimenta recursos e gera consumo é absurdo. De combustível, manutenção com peças de reposição e todos os derivados que vem de sua existência. A prestação de serviços, como despachantes, seguros, a movimentação financeira, com os financiamentos, são fatores econômicos vitais.

Porém o automóvel é um poluente intenso. Do gás emitido aos resíduos produzidos. É um dos elementos de consumo de petróleo em várias partes de sua produção e como combustível para sua propulsão. Ocupa um imenso espaço nas vias públicas e gera obstáculo e risco para os pedestres. Ironicamente é o mais seguro para o condutor. Maringá tem uma dificuldade imensa dos ônibus circularem em meio a quantidade de carros. Não temos canaletas exclusivas propagadas pela cidade. Os carros atrapalham a circulação dos coletivos.

O consumo do automóvel é outra questão a ser discutido. No império da individualidade o automóvel ganhou estados de particularidade. Como a roupa agora se personaliza e identifica o perfil do proprietário. Em alguns casos, é a única virtude do condutor.

Reduzir o uso do automóvel, agilizar o transporte coletivo e lhe dar conforto são respostas para ao dilema da mobilidade urbana. São ações fundamentais para a redução das mortes. Maringá não é bom exemplo neste sentido. Mesmo planejada, com vias largas, o excesso de carros e a falta de uma ação em defesa do transporte coletivo de qualidade ao longo do tempo gera um impasse cada vez mais difícil de resolver.  

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