Gilson Aguiar comenta o Dia Internacional da Mulher
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Gilson Aguiar comenta o Dia Internacional da Mulher

Por Gilson Aguiar em 08/03/2018 - 08:35

Mulher, qual a diferença?

As mulheres são vítimas de violência no Brasil. Isto é um fato. O patriarcalismo, o machismo, se mantém. Naturalizado, como um discurso a ser cumprido. A preservação do que não se sustenta, este é o destino do decadente mando masculino.

No site Observatório da Mulher, do Senado Federal, percebe-se que quanto mais idade, mais violência a mulher sofre. A trajetória de agressão vai da psicológica a física. Em relação a primeira, pelo menos metade das mulheres já sofreram (48%). Uma em cada dez mulheres já sofreram violência sexual. A maioria das agredidas, quase 70%, é negra ou parda.

Porém, onde está o vilão? O ambiente doméstico é onde ocorre a maioria dos casos de agressão. O parceiro, o pai, o irmão ou o amigo. Aquele que está próximo e diz amar pode matar, magoar, fazer sofrer, agredir. Por que nos sujeitamos?

As coisas estão mudando e vão mudar mais. Elas já são a maioria dos universitários, são quem menos abandonam a educação em todos os níveis. Avançam no mercado de trabalho. Se ainda ganham os menores salários não será por muito tempo. As mulheres são o principal provedor da maioria das famílias brasileiras, dados do IBGE. Dentro da família as mulheres são o principal agente de decisão de consumo. Ela é quem define a saúde financeira do lar.

As coisas estão mudando, estamos denunciando mais a violência contra a mulher. Ao mesmo tempo, em casa, já há a contradição da felicidade e dor das coisas não serem mais como antes. Elas já não sabem cozinhar, lavar e passar como suas avós. Porém, se ela estuda, o seu futuro é o mercado de trabalho, não mais o fogão ou os filhos. Entre as com melhor instrução, o número de filhos é menor e casam mais tarde. Viver com alguém é opção e não destino de vida.

Logo, é em casa que tudo começa. Vamos ensinar nossos filhos a serem livres e não dependerem de quem lhes sustente eternamente. A família tradicional hoje é menos de 50% das famílias do país. O futuro não trará a mesa longitudinal familiar com o patriarca em sua ponta. Será um encontro entre quem tem afinidade e não obrigação de estar juntos. O sentimento deve prevalecer sobre a obrigação, o mando, a amarra, que durante muito tempo deu e justificou o mando patriarcal.

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