Gilson Aguiar comenta a permanência de Aécio Neves no Senado

Gilson Aguiar

Gilson Aguiar comenta a permanência de Aécio Neves no Senado

Por Gilson Aguiar em 18/10/2017 - 08:20

Corporativismo

Se há algo que une a classe política é a ameaça aos seus benefícios. Nunca coloque uma classe em ameaça, ela mostra que acima das divergências há a sobrevivência. Esta é a condição para explicar Aécio e seu retorno ao Senado. Os parlamentares foram contra a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e votaram a favor do retorno do senador ao seu mandato. Também, o fim da prisão domiciliar do mineiro.

Porém a votação não foi tranquila. Ele obteve 44 votos. Precisava de 41. 26 senadores foram contra Aécio. Há quem foi votar mesmo com atestado médico, doente, segundo alguns, com as tripas de fora. Foi o caso do senador Romero Jucá, do PMDB. Mas o sacrifício também foi da oposição, Ronaldo Caiado, de cadeira de rodas, após cair de uma mula, fez questão de comparecer para votar contra.

O clima da votação é a demonstração do desgaste que o senador mineiro vive. Para os tucanos uma perda de prestígio e força. Aécio Neves, que já foi candidato a presidência da República, era, alguns ainda acham que é, um dos principais líderes do partido. Agora, ele se tornou um preso. Muitos dos membros do PSDB gostariam de ver ele fora da sigla.

Porém, há um corporativismo. A queda do mineiro no Senado poderia custar caro. Ele é um irmão de casta, um membro da classe. E quando a ameaça recai sobre um, gera sombra sobre todos. Nestas horas é que se denuncia o que leva um homem à política, o que alimenta os homens no poder. Aécio é a expressão do que se repudia, mas permanece.

Temer, o presidente indesejado, mas que sobrevive, foi à defesa do senador mineiro, também seu aliado. Conversou com o presidente do Senado, fez amarrações. Aliados vão até o fim, na alegria ou na tristeza.

Mas o senador irá permanecer também com a votação nas urnas? Quantos dos atuais políticos serão trocados por novos representantes públicos? Se ficamos escandalizados com o corporativismo político, o quanto a política é uma profissão, devemos e talvez veremos, os eleitores darem mais vida aos que hoje estão nas manchetes dos jornais por corrupção. Afinal, a falta de consciência é um mal maior. 

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