Comentário

Gilson Aguiar comenta a história das epidemias no Brasil

Por Gilson Aguiar em 09/02/2018 - 09:44

Ocorreu capacitação de funcionários das regionais de saúde do Paraná. Eles foram habilitados para tirar coleta de primatas que forem a óbito por contaminação por febre amarela. A intenção é capacitar mais pessoas em retirar amostra dos primatas contaminados para avaliação. Agir de forma preventiva para uma ameaça da doença. Mesmo não havendo nenhum caso notificado da doença. O Paraná não é área de risco.

A história das epidemias está associada a circulação de pessoas. Seres humanos levam consigo não só suas crenças, seus valores, seus interesses, produtos, mas também doenças. Se levarmos em consideração que a espécie humana migra desde seu aparecimento na face da terra. Se pensarmos no homo sapiens, entre 400 a 200 mil anos a.C. O movimento humano é o fator e consequência de sua evolução, aprimoramento, transformação.

As doenças se multiplicam na proporção que os seres humanos se movimentam e geram ambientes favoráveis para o surto das epidemias. Os que recebem o vírus não estão preparados imunologicamente para recebê-los. A história humana, das conquistas em especial, na colonização europeia nas Américas, por exemplo, é a história também das epidemias, da transmissão de vírus. Parte considerável dos nativos foi morta mais por doenças transmissíveis do que pelas armas do conquistador europeu.

Veja o caso do mosquito Aedes aegypti que voltou ao Brasil na década de 1970. O caso agora da febre amarela, retornando como preocupação epidemia. O movimento humano evolui e ameaça.

A questão é que somos cada vez mais detentores de uma ciência e tecnologia sem igual na história humana. Acreditamos ao longo do tempo que nosso aprimoramento científico e técnico nos livraria de problemas. Mas isso não ocorreu. Os velhos problemas das epidemias retornaram. As vacinas existem e não são capazes de deter a proporção do risco. É a multiplicação do ambiente propenso a contaminação com o avanço moderno. Os resíduos, o lixo, os restos, se acumulam e as doenças surgem.

A febre amarela nunca deixou de estar presente, mas agora ela pode fugir ao controle. De uma exceção pode se transformar em uma regra.

 

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