Estado pesa historicamente
Imagem ilustrativa/Pixabay/domínio público

Opinião

Estado pesa historicamente

O comentário de Gilson Aguiar por Gilson Aguiar em 12/02/2020 - 08:22

A formação da sociedade e da economia brasileira está refletida na organização do poder e no papel do Estado na sociedade.

Temos um passado que nos condena. Isto é fato. A nossa formação agrária, patriarcal e escravocrata deixou heranças. Nossa economia se formou da dependência de exportações de gêneros agrícolas. Quando a modernização ocorreu veio por conta da intervenção pública que abraçou a causa de um grupo empresarial urbano.

O desenvolvimento industrial do país foi marcado pela criação de uma estrutura estatal que passou a abraçar serviços e produtos fundamentais para fazer a máquina da economia de mercado funcionar. Nossa herança escravocrata deixou um passivo social intenso e extenso. A necessidade dos serviços públicos cresce gradativamente nos municípios.

Não é por acaso que o número de funcionários públicos nas cidades cresceu 275% desde 1986, segundo o levantamento Três Décadas de Evolução do Funcionalismo Público no Brasil. Governos dos estados tiveram um crescimento de 50% e o federal 28% no mesmo período. Os gastos com pessoal por parte do poder público foi de R$ 750 bilhões. O que representa 10,5% do Produto Interno Bruto (PIB) segundo o próprio levantamento. 

Quem paga esta conta? Se é a carga tributária, considerada elevada, que paga a conta, no Brasil recai principalmente sobre a população de baixa renda na compra de produtos e serviços. Ironia considerar que a tributação é elevada para as empresas e os que ganham mais. 

Gastamos mal os recursos públicos. Isto é fato. Precisamos de uma reforma nos gastos com mais eficiência em setores carentes de recursos. A educação básica e a formação técnica. Investimento em infraestrutura, em obras de permanência e que gere uma qualidade de vida de forma sólida. 

Se nossa formação social e econômica expressa no Estado nos condena, não temos que viver esta condição para sempre. Podemos mudar. Fazer com que os gastos públicos sejam direcionados de forma mais eficiente e naquilo que é necessário. A educação básica, fundamental e média. Na profissionalização e qualificação. Um ser humano melhor consegue traçar um caminho melhor. Enquanto isso não ocorrer não vamos para lugar algum. Estaremos condenados a profecia da desgraça.