Eleições de 1988: Renovação dentro da tradição

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Eleições de 1988: Renovação dentro da tradição

Podcast por Reginaldo Dias em 21/10/2020 - 10:00

O História das Eleições é apresentado pelo professor e historiador Reginaldo Dias.

Ouça o 23º episódio:

Olá, pessoal, hoje vamos narrar como o engenheiro Ricardo Barros, nas eleições municipais de 1988, ascendeu ao cargo de prefeito de Maringá. Foi uma das mais impressionantes viradas da história das campanhas eleitorais do município.


Em 1988, o prefeito Said Ferreira, ao concluir seu bem avaliado mandato, apostou na continuidade administrativa articulando uma forte chapa de candidatos pela legenda do PMDB. O candidato a prefeito era o secretário municipal João Preis. Como vice, foi incorporado o jovem deputado estadual Lindolfo JR.


Em contrapartida, articulava-se uma ampla coligação oposicionista. A ideia era sustentar uma nova candidatura do ex-prefeito João Paulino. No entanto, alegando problemas de saúde, João Paulino declinou. Sem a sua liderança galvanizadora, surgiram três candidaturas dessa articulação. A primeira, sustentada pela coligação “Aliança por Maringá”, teve o empresário Ademar Schiavone como candidato a prefeito. A segunda foi encabeçada pelo ex-prefeito Adriano Valente, candidato pelo PDT. A terceira foi encabeçada pelo jovem engenheiro Ricardo Barros, candidato pelo PFL.


Fora desse círculo, saíram outras duas candidaturas. O PT lançou o professor universitário Norberto Miranda e o PSB teve como candidato o então vereador Miguel Grillo.


A chapa do PMDB largou na frente, exibindo franco favoritismo. Tudo indica que venceria as eleições, em condições normais de temperatura e pressão. A coligação “Aliança por Maringá”, porém, iniciou uma agressiva tática de denúncias contra o candidato do PMDB, elevando a temperatura e a pressão da campanha.


Criou-se uma imagem de que houve uma briga, mas o candidato do PMDB não brigou; ele apenas se defendeu. As denúncias não tinham fundamento e foram estancadas e punidas mediante procedimentos judiciais, mas geraram desgaste político e alteraram o curso das eleições, só que não em benefício da coligação “Aliança por Maringá”.


Faltando cerca de um mês para o final da campanha, saindo de um patamar baixo, começou a crescer a candidatura de Ricardo Barros, que reagiu ao conflito instaurado pela coligação “aliança por Maringá” se apresentando como a renovação política necessária. Mediante uma fulminante arrancada na reta final, ultrapassou a candidatura do PMDB e se tornou o mais jovem prefeito da história de Maringá, o primeiro nascido no município.


A vitória de Ricardo Barros se explica por vários motivos: a) soube se apresentar como alternativa política; b) aliou a ideia de renovação com a tradição, evocando a memória política de seu pai, o ex-prefeito Silvio Barros. Seu vice, Willy Taguchi, também vinha de uma família tradicional na política; c) foi o candidato que soube utilizar com mais eficiência os modernos recursos do marketing político e o palanque eletrônico da televisão.


Em resumo, Ricardo Barros soube potencializar os meios do marketing político e da comunicação eletrônica para elaborar os símbolos e dizer as mensagens que iam ao encontro da expectativa dos eleitores.