Economia: o que vem depois da tempestade?
Imagem ilustrativa/Pixabay/domínio público

Opinião

Economia: o que vem depois da tempestade?

O comentário de Gilson Aguiar por Gilson Aguiar em 10/06/2020 - 07:07

Como o clima, a economia atinge de forma diferente os diversos lugares. Em alguns a sempre uma tempestade durante o dia enquanto em outro o Sol brilha. As coisas podem mudar, por mais que certas características regionais se mantêm. Se em alguns lugares as chuvas são mais abundantes, em outros é mais rara. Na economia também tem seu clima.

Quando falamos da pandemia que atinge todos os setores econômicos e em todos os lugares do mundo seu efeito será diferente. Um levantamento da consultoria Accenture mostra que a pandemia mudou o comportamento das pessoas e alguns deles vieram para ficar. Não por acaso isto já se reflete agora na retomada da economia por alguns setores. 

Segundo levantamento da Accenture, o comércio teve uma queda de 60%. Só o turismo, com dados de maio, 67%. Vestuário (58%), restaurantes (49%) e combustíveis (27%) também tiveram quedas, diferentes. Claro que é perceptível que supermercados e farmácias não. O crescimento no primeiro setor foi de 16% e no segundo de 2%.

As pessoas vão ficar mais em casa e consumir mais produtos ligados a vida pessoal e doméstica. Por isso, aqueles setores que envolvem aglomeração de pessoas serão os últimos a terem uma recuperação aos mesmos níveis do pré-pandemia. Um tempo de 18 a 24 meses para o retorno a números anteriores ao coronavírus.

Como falei anteriormente, economia não atinge as regiões da mesma forma. Por mais que seja uma relação de integração cada mais maior. O processo de dependência de mercados, fornecimento, transformação, consumo e serviços se integram intensamente. Os meios tecnológicos permite isso. O mercado financeiro é um termômetro da eficiência desta integração ou não. 

A região noroeste do Paraná, e Maringá em especial, demonstra um potencial de recuperação mais efetivo. Um levantamento feito pelo governo do estado tendo como base a emissão de notas fiscais mostra que há um crescimento no faturamento e em alguns setores muito próximos aos índices anteriores a pandemia. O vareja por exemplo já atingiu 84,3% do potencial pré-pandemia e o setor de alimentos se destaca com 92,4%. 

O ministro da economia Paulo Guedes, em uma reportagem do jornal Valor Econômico, considera que a economia brasileira é uma das poucas que pode ter uma reação rápida e retomar o crescimento em forma de “V”, ou seja, queda e elevação rápida. Mas para isso, segundo ele, é preciso equilíbrio e foco entre a saúde e a economia, não descuidar nem de uma ou de outra. Para ele, superar os embates políticos e focar em medidas necessárias para a combater a doença e a crise econômica com ações conjuntas é fundamental.

Quem vai no mesmo sentido é o economista chefe do Bradesco, Fernando Honorato. Para ele, o Brasil já estava vivendo uma recuperação e tem bases sólidas para investimentos em diversos setores que devem puxar a economia. Os juros baixos e um novo ambiente para negócios deve contribuir. Ampliação de linhas de crédito e estabilidade política são fundamentais. Neste ponto segue a mesma lógica de Guedes. 

Por isso, a recuperação virá de forma mais eficiente para os lugares que souberem gerenciar de maneira eficiente a crise. A região noroeste do Paraná está fazendo isso. Logo, não podemos perder a sintonia que construímos ao longo destes meses de enfrentamento do coronavírus e seguir com condições de reagirmos rápido e de forma eficiente quando for necessário, tanto para a preservação da saúde física, mental e econômica.