A cor da bala na pele
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A cor da bala na pele

Por Gilson Aguiar em 06/06/2018 - 08:00

Gilson Aguiar faz uma análise do atlas da violência. 

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A cor da bala na pele

 A violência no Brasil vem de longa data. Faz parte da construção social do país ao longo da história. Da ocupação de terras para a colonização ao processo de escravidão; das guerras que se mantiveram como uma forma de dominação. Violência faz parte do cotidiano da pátria.

Saiu os dados do Atlas da Violência 2018. O levantamento do Ipea e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública são com base nos dados do Ministério da Saúde. E os resultados deste levantamento não são bons. Chegamos ao ápice da prática do homicídio. O perfil preocupa e a miséria herdada e praticada tem relação com isso.

Segundo o levantamento, o país tem 30 assassinatos para cada 100 mil habitantes. 71% das mortes foram por arma de fogo. Um crescimento de 14% em relação ao levantamento anterior. Nos últimos 10 anos foram 553 mil mortes assassinato.

Se formos detalhar as mortes violetas por região, vamos perceber que a desigualdade econômica tem muito a dizer. O Nordeste lidera os números com o maior índice para cada 100 mil habitantes. Sergipe tem 64,7, enquanto São Paulo tem 10,9 e Santa Catarina tem 14,2. As regiões mais pobres atraem a violência.

Se formos observar a cor da pela, a distinção é clara. Quanto mais a pela escurece o risco do homicídio aumenta. 71,5% dos que foram assassinados são pretos e pardos. Menos por ser uma herança do extermínio racial e mais por estarem na população com baixa renda, vivendo em condições de risco.

Mas a pobreza tem cor no Brasil. Não por se nascer preto ou pardo, mas por termos uma desigualdade econômica expressa em uma sociedade que nunca superou os passivos sociais construídos ao longo da história. O fim da escravidão e o êxodo rural expressam seu legado.

Porém, assassinatos e miséria legitimam o poder. Não resolver a desigualdade, não emancipa o ser humano, não desenvolve seu potencial, legitimam os que vivem da promessa que não se cumpre e “vomitam” a falsa esperança. A retória do poder manipula a ignorância e mantém a violência praticada. O ignorante é quase sempre a vítima dos atos de quem se elege com a promessa de uma vida melhor. É preciso romper isso.

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