Sítio paleontológico de Cruzeiro do Oeste se consolida

26/08/2019 / Atualizado em 26/10/2025 Por Victor Simião
Sítio paleontológico de Cruzeiro do Oeste se consolida

Em oito anos de escavações, quatro descobertas foram feitas. Coordenadora do local diz que novos trabalhos devem ser apresentados em breve.

Atualização às 15h30 de terça-feira (27): Diferentemente do que tinha sido informado, o sítio em Cruzeiro do Oeste não é arqueológico e sim paleontológico. 

2019 tem sido um ano importante para a paleontologia brasileira, principalmente no que se refere às pesquisas em Cruzeiro do Oeste. Em junho deste ano, foi divulgada a descoberta de fósseis do “Vespersaurus paranaensis”, o primeiro registro de um dinossauro no Paraná. Agora, em agosto,  pesquisadores publicaram um trabalho sobre o pterossauro “Keresdrakon vilsoni”, que viveu á  pelo menos 80 milhões de anos também em Cruzeiro.

Os registros desses animais foram encontrados no mesmo sítio paleontológico da cidade.  Mesmo o ano tendo sido bom,  não se pode esquecer da história.

O sítio foi descoberto em 1971, quando o proprietário percebeu que os fósseis eram de alguma coisa importante. Mostras do material foram levadas para a Universidade Estadual de Ponta Grossa. Lá, o conteúdo ficou guardado, mas pouco explorado até 2011. Naquele ano, o geólogo Paulo César Manzig teve acesso ao material na UEPG e foi conhecer o sítio em Cruzeiro do Oeste. Daí materiais escavados foram levados para Mafra, Santa Catarina, na Universidade do Contestado.

De lá para cá, foram feitas quatro descobertas: além do pterossauro e do dinossauro neste ano, em anos anteriores foram encontrados registros de outro pterossauro e de um lagarto. Todos na mesma região de Cruzeiro.

O local, agora, fica sob a guarda da Prefeitura da cidade e do Museu de Paleontologia do município. Pesquisadores de outros países têm se interessado pelo campo. O Museu, aliás, foi criado neste ano.

A coordenadora do Museu de Paleontologia de Cruzeiro do Oeste, Neurídes Martins, disse que agora há condições de se fazer pesquisas ali mesmo, sem precisar tirar o material da cidade.

No caso do pterossauro “Karesdrakon vilsoni”, cuja descoberta foi publicada há poucos dias e está sob a responsabilidade da Universidade do Contestado, Neurídes queria que o nome fosse outro – um título que homenageasse a região.

O Museu Paleontológico foi criado neste ano, mas os planos são ambiciosos. O interesse é ampliar o espaço e desenvolver um parque temático.

O sítio paleontológico tem 400 metros quadrados. Somente 20 metros foram escavados até o momento. O que significa que ainda há muito a ser descoberto.