Secretária de líderes religiosos presa pelo Nucria é solta em Maringá
Foto: Divulgação Polícia Civil

Maringá

Secretária de líderes religiosos presa pelo Nucria é solta em Maringá

Segurança por Fabio Guillen/GMC Online em 10/09/2021 - 14:46

A secretária dos três líderes religiosos presos durante uma operação do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente (Nucria), em julho deste ano, foi solta pela Justiça nesta sexta-feira (10). Os advogados de defesa da secretária entraram com um pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) e conseguiram uma liminar favorável à soltura da mulher. 

Os três líderes religiosos também foram soltos no dia 24 de agosto após a defesa conseguir uma liminar favorável à soltura dos três. Segundo um dos advogados dos suspeitos, Everton Caldeira, não havia motivos para que os quatro respondessem pelos crimes atrás das grades antes do julgamento. Ainda segundo Caldeira, a defesa está confiante que provará a inocência dos acusados. 

“Agora inicia-se a defesa propriamente dita, a instrução processual, onde contamos com a ampla defesa e o contraditório de forma literal, na esperança de um juízo imparcial. De modo a dispender esforços a comprovar a inocência de todos os acusados”, disse o advogado Everton Caldeira ao GMC Online nesta tarde. 

Os quatro acusados estavam presos por suspeita de envolvimento em um esquema de vendas de pizzas utilizando trabalho escravo infantil. A secretária, segundo a Polícia Civil, cuidava da parte financeira da igreja, bem como coordenava e fiscalizava a venda de pizzas por menores de idade em Maringá e região. 

Ainda de acordo com a Polícia Civil, a investigação começou depois que as equipes constataram que muitas crianças e adolescentes estavam vendendo grandes quantidades de pizzas em Maringá e também na região. Os suspeitos foram indiciados por subtração de incapaz, associação criminosa e tráfico de pessoas com finalidade de submeter a trabalho em condição análoga à de escravo. 

A investigação 

A investigação descobriu que ao menos cinco crianças foram vítimas de trabalho escravo. A delegada explicou que elas não tinham qualquer tipo de remuneração pela venda das pizzas. Todo o dinheiro arrecadado era revertido para os líderes religiosos investigados.

A polícia ainda constatou que algumas das vítimas ficaram fora da escola por um período. Ao Conselho Tutelar, elas relataram que tinham um dia da semana para fazer as tarefas escolares. 

Num dos casos apurados, a polícia descobriu que uma vítima de 13 anos foi levada para trabalhar como doméstica na casa dos pastores. Os pais que contestavam também eram agredidos e ameaçados. “Eles se negavam a devolver a adolescente para os pais. E quando os pais foram atrás, com o Conselho Tutelar, eles foram agredidos”, detalhou a delegada do Nucria de Maringá, Karen Nascimento.

Segundo Karen Nascimento, os líderes religiosos presos na operação se aproveitavam das condições econômicas e emocionais das famílias das crianças e aliciavam as vítimas para que vendessem as pizzas. 

As equipes cumpriram três mandados de busca e apreensão na igreja e encontraram grande quantidade de dinheiro, uma arma de fogo e muitas pizzas – algumas já prontas e outros materiais para produção – impróprias para o consumo. A Vigilância Sanitária chegou a interditar a igreja.

Os policiais também encontraram um quarto, dentro da igreja, que levantou suspeitas. “Nós encontramos um quarto com isolamento acústico e um colchonete. No local também tinha um bastão e nós temos a notícia de que uma pessoa, maior de idade, que teria déficit intelectual, também estaria sendo submetida a trabalho escravo e que ela estaria na igreja. Nós não localizamos ele hoje, mas localizamos na garagem o local que ele morava, que era totalmente precário. Não tinha banheiro, nem nada, era envolto por uma cortina. E tínhamos notícia de que ele também pernoitava nesse quartinho. Ele seria um obreiro da igreja e será ouvido posteriormente”, detalhou à época. 

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