‘Sempre felizes’
Casal centenário de Maringá celebra 80 anos de casamento e recebe bênção do Papa
Chegar a quase um século de vida não é uma tarefa fácil. Imagina conseguir viver todo esse tempo ao lado da pessoa que ama, coroando uma união selada ainda tão jovem? Foi a missão cumprida pelo casal Luiz Luize e Maria Luiza Rossi Luize, moradores de Maringá. Ambos completam 99 anos de idade ainda neste ano e celebraram 80 anos de casados neste mês.
O casal quase centenário se casou em 4 de julho de 1946, em Cornélio Procópio. No último dia 11, eles comemoraram a data com uma nova cerimônia celebrada por Dom Murilo Krieger, bispo emérito de Maringá, que exerceu o ministério na cidade de 1997 a 2002. O dia ainda contou com uma bela festa para familiares e amigos.
Pais de quatro filhos, avós de nove netos e bisavós de 17 bisnetos, Luiz e Maria Luiza enchem os olhos para falar da família, o bem mais precioso dos dois.
— Criamos essa família, vivemos juntos todo esse tempo, lutando com a vida, que sabe que a vida não é fácil, né? Sempre conseguindo compreender o outro, se entender, nada de briga, que a briga não leva a nada. E criamos a nossa, lutamos para fazer a família crescer, estudar, se educar, que com a graça de Deus nós construímos uma família maravilhosa. Que se ama e se respeita — disse Maria Luiza ao GMC Online.
— Uma família maravilhosa que eu tenho — celebrou Luiz.
Para engrandecer a data, o casal recebeu uma bênção apostólica, concedida pelo próprio Papa Leão XIV. A honraria especial do Catolicismo é uma invocação de proteção e graça divina, materializada em um pergaminho com o brasão papal.

O primeiro amor de dois jovens
Luiz Luize nasceu em Catanduva (SP), em janeiro de 1927, há muitos quilômetros de Poços de Caldas (MG), onde nasceu Maria Luiza Rossi, em dezembro daquele ano. Ele neto de italianos, ela filha de italianos.
As duas famílias se mudaram para o Paraná em busca de melhores condições de vida, até se instalarem em Cornélio Procópio, a cerca de 160 quilômetros de Maringá. Os jovens se conheceram em 1944, aos 17 anos, e se casaram após um ano e meio de namoro.
O casamento foi simples, sem festa, apesar de muitos convidados na cerimônia religiosa e civil. Mesmo em um dia quente e seco em pleno inverno, seguido de chuva ao anoitecer, Luiz e Maria Luiza têm as melhores lembranças do marco da relação.
— Pra mim estava maravilhoso, tudo. Estava tudo bom — disse ela. — Eu achei ela linda. A emoção foi muito grande — recordou ele de sua melhor lembrança.

A construção da família
Casados, os jovens moraram por mais de uma década em Cornélio Procópio e cidades da região, até se mudarem para Maringá em 1958. No ano seguinte, passaram a residir em Mandaguaçu, onde ficaram até 1988. Desde então, retornaram a Maringá e não saíram mais.
Em uma época em que ter muitos filhos era o normal, Luiz e Maria Luiza tomaram a decisão de conceber menos herdeiros, “para não tornar a vida ainda mais difícil”. Foram quatro filhos – uma já falecida – que puderam estudar e estender ainda mais a família com prosperidade.
Os filhos agraciaram os patriarcas com nove netos, que se transformaram em 18 quando todos se casaram. Depois, mais 17 bisnetos. A prole do casal vai do filho mais velho de 79 anos ao bisneto mais novo que nasceu há dois meses.
Luiz e Maria Luiza garantem que nunca tiveram dificuldade no casamento. Elas se restringiram à vida e à criação dos filhos, mas que foram contornadas com o respeito e a união da família. Cafeicultor, Luiz sofreu com quatro grandes geadas que destruíram suas plantações, e tinha o apoio dos ganhos da esposa com a costura.
— No casamento mesmo, não [tivemos dificuldades]. Nós fomos sempre felizes, sempre vivemos bem, nunca pensamos em separação. A dificuldade para conseguir criar os filhos e educar, né? A gente procura educar, dar estudo, e não é fácil. Essa foi a maior dificuldade — revelou Maria Luiza.

Qual o segredo?
Os 80 anos de casamento são representados pelas Bodas de Nogueira ou Carvalho. As árvores, conhecidas pela força, simbolizam a solidez, a resistência e as raízes profundas de uma união de oito décadas.
Em uma relação marcada pelo amor e respeito, difícil foi encontrar a melhor parte. Para os dois, foi “tudo”.
— Foram os oitenta anos de casados. Se você for um bom marido, ela vai ser uma boa esposa pra você. Sempre fui cheia dela. E não me arrependo — refletiu Luiz.
— Tudo foi bom. Nunca me arrependi de ser casada e aconselho pras pessoas solteiras, se aparecer um bom casamento, casar e procurar ser feliz. Um fazer o outro feliz. E nunca brigar. O marido e a mulher ficam brigando, os filhos perdem a segurança. Eles dizem, “meu pai, minha mãe brigando, o que eu espero da vida?” Então a gente procura se entender sempre para dar segurança pros filhos — aconselhou Maria Luiza.

Um século de vida
Sempre muito ativos e com atenção à saúde, os quase centenários sentem o peso da vida, mas desfrutam como podem. A rotina se tornou mais simples, “olhando uma para a cara do outro” em casa, assistindo TV e curtindo um futebol e o Palmeiras.
— Tem que se amar bastante, né? (risos) — brincou Luiz.
E claro, se reunir com a família sempre que possível. O maior prazer do casal é estar rodeado dos herdeiros, podendo cuidar e serem cuidados.
— Eles são uma referência pra nós. Uma referência de casal. Quando a gente casa, a gente se inspira nos dois. E de vida, né? Porque eu vejo o vovô sempre reto nas coisas que ele fez, que ele faz, nas intenções também. A Nenê (Maria Luiza), uma mulher maravilhosa, dedicada, amorosa. Quando a gente chega aqui, a gente é sempre muito bem recebido, eles sempre muito preocupados com tudo. Então, a palavra que resumiria é que eles são o nosso exemplo mesmo. Eles são a referência que a gente tem pra nossa vida. Eu, particularmente, fui criada como filha deles. Então, pra mim, é até um privilégio — disse a neta Danielle Sottovia, emocionada.
Acesse GMC Online