Visando discussão no CEP, professores criam grupo pró-cotas raciais
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Universidade Estadual de Maringá

Visando discussão no CEP, professores criam grupo pró-cotas raciais

Por Victor Simião em 27/08/2019 - 20:05

Assunto já está na Câmara de Graduação da UEM. Proposta definida por comissão de relatores é diferente da apresentada pelo movimento negro, segundo apurou a CBN. Grupo de docentes quer conversar com várias instâncias da instituição.

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Já pensando nos embates que a proposta relativa à criação de cotas raciais na Universidade Estadual de Maringá deve ter nos colegiados superiores, professores criaram um grupo favorável a implementação dessa medida. São nove docentes de departamentos diferentes que querem que o sistema seja criado na UEM. Eles pediram à reitoria que autorizasse a participação do grupo em discussões em centros, departamentos e no CEP, o Conselho de Ensino e Pesquisa, nos próximos encontros. A reitoria autorizou.

O grupo foi desenvolvido no momento em que a comissão de relatores, formada por seis professores e uma estudante, encaminhou o relatório relativo ao tema. Segundo apurou a CBN, diferentemente do que foi proposto pelo movimento negro ano passado, a relatoria preferiu criar o sistema de cotas raciais dentro do sistema de cotas sociais. A reportagem não teve acesso ao percentual. O coletivo Yalodê-Badá queria que 20% do total de vagas fossem para as cotas raciais.

A CBN procurou a presidência da comissão de relatores, que preferiu não se manifestar, dizendo que é melhor aguardar o assunto ser discutido publicamente na Câmara de Graduação.

A professora do departamento de Ciências Sociais, Marivânia Araújo, é uma das responsáveis pelo grupo de docentes pró cotas raciais. Mulher negra que pesquisa o assunto, ela disse ter percebido que muitas pessoas não entendiam exatamente o que é esse sistema. Na avaliação da professora, cotas raciais abrem possibilidades de inclusão.

Atualmente a UEM tem o sistema de cotas sociais, que leva em conta a renda familiar e se o aluno estudou na rede pública no Ensino Médio. A Universidade Estadual de Maringá é a única instituição pública do ensino superior do Paraná que não tem cota racial.

O professor Delton Aparecido, do departamento de História e ligado ao movimento negro, lembrou que historicamente a população negra tem sido marginalizada. Segundo ele, colocar mais alunos negros na universidade também é responsabilidade dos docentes.

No grupo pró cotas raciais também há pessoas não negras. Uma delas é a professora Zuleika Bueno, do departamento de Ciências Sociais. A demanda veio de um coletivo; e nós queremos mostrar que há apoio dos docentes que não estão dentro da comissão de relatores, disse ela.

Agora que está na Câmara de Graduação, os 64 coordenadores dos cursos devem dizer se concordam ou não com o posicionamento da comissão de relatores. Não há data para o debate ser feito. Após a Câmara decidir, mudando ou não o relatório, a discussão é levada para o Conselho de Ensino e Pesquisa, que dá a palavra final.

 Em julho, a OAB/Maringá deu parecer favorável à criação desse sistema na instituição.

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