'O Brasil está sendo dominado por frescos', diz deputado Fahur
Foto: Fábio Guillen

Entrevista

'O Brasil está sendo dominado por frescos', diz deputado Fahur

Política por Portal GMC Online em 20/01/2020 - 10:09

Por: Fábio Guillen/GMC Online

 

Uma sala pequena, com sofá, computador, um fuzil em forma de obra de arte e uma foto do presidente da República, Jair Bolsonaro.

Foi neste ambiente, de sua casa em Maringá, que o deputado federal Gilson Cardoso Fahur, mais conhecido como Sargento Fahur, recebeu a reportagem do GMC Online para um bate-papo sobre vários assuntos, dentre eles inúmeras polêmicas envolvendo deputados e até ministros por conta de frases e discursos.

Fahur disse que “esse País está sendo dominado por frescos” ao atacar o empenho de algumas autoridades em criticar depoimentos de políticos no Brasil, como o do deputado federal pelo Rio de Janeiro, Eduardo Bolsonaro, que declarou que "se a esquerda 'radicalizar', uma das respostas do governo poderá ser 'via um novo AI-5'".

O deputado também avaliou seu primeiro ano de mandato e deu detalhes ao GMC Online de seus três principais projetos protocolados em 2019, um deles que desobriga o Estado de separar presos em presídios por facção criminosa.

“Tem que cumprir pena junto. Bandido é tudo igual. Eles que se acertem lá dentro. Problema deles!”, comentou.

Fahur também comentou sobre as eleições locais em 2020, sobre a lei de abuso de autoridade e sua atuação nas redes sociais. 

Abaixo, ouça a entrevista completa do Sargento Fahur ao GMC Online:

Como você avalia seu primeiro ano como deputado?

Foi um ano de aprendizado. Procurei me locomover com inteligência e me aproximar de pessoas com conteúdo, principalmente de alguns novos deputados que vieram nessa onda Bolsonaro como policiais militares de São Paulo, do Rio de Janeiro, de Santa Catarina, Minas, policiais federais, generais, coronéis do Exército. Então, procurei me aproximar dessas pessoas que têm conteúdo para que eu pudesse “aprender” a ser deputado. Tenho certeza que os próximos três anos serão muito bons. Mas nesse período não fiquei parado, não. Protocolei vários projetos que tinha prometido em campanha e em pré-campanha, sempre endurecendo a vida dos criminosos.

 

Quais projetos o deputado propôs em 2019? Descreva eles.

Foram três principais. O primeiro projeto protocolado foi um tornando crime hediondo o roubo armado na residência do cidadão protegendo a casa do indivíduo, a casa da família. Hoje, se você roubar um celular ali na esquina de um jovem, você apontar um revólver, uma faca e tomar o celular dele, é o mesmo crime de você entrar dentro da casa de uma família de madrugada armado, aterrorizando, humilhando, botando todos deitados no chão. Imagina o trauma para aquela família, às vezes com suas filhas ali de roupas íntimas dormindo e bandidos transitando ali dentro e, às vezes, até estuprando como já aconteceu. Então tô endurecendo a lei. O bandido tem que pensar mil vezes antes de entrar na casa de uma família para roubar. Não vai ter nenhum benefício se o projeto for aprovado.

O outro projeto que apresentei e protocolei também para chamar a atenção da sociedade e das autoridades é desobrigar o Estado a separar presos por facção criminosa. Preso tem que cumprir pena onde o Estado determinar. Não tem esse negócio de sou do PCC eu vou aqui com o pessoal do PCC, eu sou da Família do Norte eu vou aqui, eu sou do Comando Vermelho eu vou aqui. Não. Tem que cumprir pena junto. Bandido é tudo igual. Eles que se acertem lá dentro. Problema deles. Aí o chefe do Copen [Conselho Penitenciário do Paraná] falou: ah vai ter matança. Que se dane! Que se dane! Não é problema meu. É problema de quem comete crime. Pare de cometer crime que você não vai lá pra dentro e não vai se ferrar. O cara tem que pensar o seguinte: se eu vacilei, serei decapitado.

O terceiro é sobre a audiência de custódia. Eu acho um absurdo a forma que a audiência de custódia é conduzida. O vagabundo comete um crime aqui e em 24 horas é um transtorno para o Estado e polícia ter que levar esse vagabundo na presença de um juiz e promotor aonde lá só é questionado se ele teve constrangimento, só o momento da prisão. Não se fala sobre o crime cometido. Eu prendo o cara que tá acostumado a passar com drogas na rodovia ganhando dinheiro, o sargento Fahur vai lá com sua equipe e prende o cara, você acha que ele vai falar bem de mim na audiência de custódia? Tudo o que ele puder falar pra me ferrar ele vai falar. Daí a Justiça instaura procedimento, vou responder, sou afastado, vou gastar com advogado e dois anos depois sou inocentado. Quem que vai pagar todo esse transtorno que passei porque um vagabundo me denunciou? Eu falo isso por experiência própria. Estou assinando na Justiça Federal por dois anos e paguei R$ 1.200 porque chamei três vagabundos de gordo, gordinho e robocop, que eram os apelidos deles que eles falaram pra mim. O procurador da Justiça Federal me denunciou. Vou responder por dois anos porque xinguei três vagabundos que um deles estava com seis quilos de maconha, um com cinco quilos de haxixe, um com um pino de cocaína e R$ 2.800 em dinheiro.

 

Como o deputado avalia o primeiro mandato do presidente Bolsonaro?

Sou uma pessoa que acompanha tudo pessoalmente, pela imprensa e pela internet. Acompanho 24 horas por dia e estou satisfeitíssimo. Dizer que o presidente não cometeu nenhum erro, nenhum deslize, é utopia. Isso aí é natural do ser humano. Agora, no geral, no pacote, estou satisfeitíssimo com o governo Bolsonaro. É um cara firme, um cara que tem suas tiradas fortes, ele peita, ele vai pra cima. A economia começando a reagir, muitas mudanças de paradigma, segurança pública com os índices mudando. Em 26 estados os índices de criminalidade baixaram. E vai baixar muito mais porque tem medidas que começam a dar resultado estatisticamente em seis meses, dois anos.

 

Com relação à política local, o deputado tem interesse à candidatura de prefeito para este ano? Se não for candidato, pretende apoiar alguém?

Olha, eu particularmente sargento Fahur não sou pré-candidato a prefeito. Não tenho nada contra quem abandona mandato no meio do caminho para concorrer a outro, mas não é coisa que eu particularmente quero pra mim. Fui eleito por quatro anos para ser deputado federal e por quatro anos serei deputado federal. Se for pra mim ser candidato a prefeito vou terminar meu mandato em 2022 e em 2024 nós vamos encarar, mas largar meu mandato no meio do caminho eu não vou fazer. E não sei se vou apoiar algum candidato aqui em Maringá.

O deputado quando policial rodoviário sempre mostrava os criminosos que prendia para a imprensa. Agora, isso mudou e não pode mais expor suspeitos por conta da Lei de Abuso de Autoridade. O que o sr. pensa sobre isso?

Eu acho que isso é mais uma passação de mão na cabeça de vagabundo. É claro que nós da polícia e a própria imprensa precisamos ter um limite. Se eu prender uma pessoa que é suspeita, não tenho indícios fortes, a imprensa não vai filmar o rosto. Agora o cara foi preso em flagrante com o carro cheio de drogas porque não se pode mostrar a cara dele? Outra, bandido que rouba estabelecimento comercial, numa lotérica, no Correio, num mercado, no posto de combustível, estuprador, quando ele é mostrado na televisão outras vítimas dizem: Ah esse cara me estuprou, esse cara roubou meu mercado. Então ele responde por outros crimes. Isso acabou e beneficia o criminoso. Infelizmente, alguns deputados legislam em causa própria. Isso aí é para defender político quando for preso em Operação Lava Jato. Não mostra ele e não mostra nada. Tem que escrachar. Não quer ser escrachado na televisão? Não comete crime!

 

Com relação a demissão do secretário de Cultura Roberto Alvim pelo presidente Bolsonaro. O que deputado achou disso?

Eu não sou contra, até porque o presidente deve ter sofrido uma pressão muito grande. Eu gostaria que as autoridades que ligaram para o Bolsonaro pedindo para demitir o secretário tivessem a mesma ênfase quando eles mostrassem um idoso morrendo na fila do hospital, uma criança, que essas autoridades tivessem o mesmo empenho. O mesmo empenho que tiveram quando criticaram o Eduardo Bolsonaro, deputado meu amigo lá em Brasília, quando ele falou em AI-5, em reativar o AI-5, ah é uma frescura. Gente, esse país está sendo dominado por uma frescura, por frescos. Se você fala um negócio durante uma entrevista aqui, se dá um escorregão aqui de que a ditadura matou muito vagabundo, nossa senhora! No outro dia o cara te esculhamba, te arrebenta. Mas vir aqui no UPA de Sarandi ver como está a situação, ver como tá a situação nos postos de saúde de São Paulo esses pilantras não vêm. Só gostam de causar polêmica e de aparecer.

 

A gente percebe que o deputado é muito famosos em todas as redes sociais e sempre com muitas discussões. Como que o sr. lida com isso?

Olha, eu me policio bastante para atender as demandas da internet. Tem muitos absurdos também que a gente observa de comentários, tanto de críticas como de pessoas extremamente radicais, até mais do que a gente se manifesta. Procuro ouvir a voz da internet sem me preocupar muito com os desafetos ideológicos e de pensamento. Por exemplo, sou contra a liberação do uso da maconha, sou contra maconheiro, acho maconheiro um fraco, um frouxo. Eu acho. Muitos falam em liberação de drogas na internet e quando você vai contra você é xingado. Eu coloco o que eu penso, o que eu acho, estou sempre pronto para mudar, mas desde que convencido de uma forma honesta e verdadeira. Os tempos mudaram. Eu tenho 56 anos e é muito difícil você ver algumas coisas dadas como normais, você vindo de uma outra geração, mas você tem que se adaptar. Não é porque eu fui criado de uma maneira que vou chegar em dois homens se beijando que vou esbofetear eles. Não! Não tenho nada contra. São bandidos? Não! Pessoas de bem tem meu total apoio. Se alguém ofender, eu como policial, como deputado, vou intervir na hora. Falar você está cometendo um crime, você está errado. Vou chamar a polícia e falar tem dois rapazes aqui sendo molestados, atacados, sendo ofendidos. Só que tem certas coisas que dentro de mim eu não concordo cem por cento, mas nem por isso foi ficar me manifestando. Eu ataco bandido! Se tiver comentários de racismo ou homofobia já apago na hora.