Médica Nise Yamaguchi diz que aceitaria ser ministra de Bolsonaro
Nise Yamaguchi disse ao GMC Online que se tornar ministra da Saúde colocará algumas ideias em prática - Foto: Fátima Damaceno/AMUCC

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Médica Nise Yamaguchi diz que aceitaria ser ministra de Bolsonaro

País por Fabio Guillen/GMC Online em 19/05/2020 - 16:01

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A médica oncologista e imunologista Nise Yamaguchi disse que aceitaria ser ministra da Saúde, caso o presidente Jair Bolsonaro fizer o convite.

Em entrevista exclusiva ao GMC Online na tarde desta terça-feira, 19, a médica, que é nascida em Maringá, confirmou que está em contato constante com o presidente Bolsonaro e falou que se for convidada será uma obrigação com a sociedade assumir o cargo.

“Tenho que deixar muita coisa para trás, não é simples. Com certeza. Neste momento não é uma questão de opção. É uma questão de obrigação. Mas não veio o convite, ta. É uma questão do povo querer”, disse a médica que está entre as favoritas à assumir o cargo de ministra da Saúde.

Nise Yamaguchi é conhecida por ser defensora do uso da hidroxicloroquina no tratamento de pacientes com Covid-19. Ao GMC Online a médica disse que se virar ministra colocará algumas ideias em prática.

“Eu iria atrás do remédio. Não adianta eu ter portaria se não tenho o remédio disponível. Eu ia ligar para a Índia, mandar um avião presidencial buscar lá a hidroxicloroquina, pedir para o Exército produzir, distribuir com critério porque esses remédios são confiscados, colocar disponibilidade nas farmácias para os pacientes poderem comprar. Esse seria o primeiro passo. O segundo seria pegar todos os agentes comunitários de saúde, todos os médicos do sus e treiná-los juntamente com os médicos de convênio. Mas ideia não vira nada se você não tiver opção de executá-la”, comentou em entrevista ao GMC Online.

Nise disse que os cientistas que condenam o uso da cloroquina não conhecem os reais efeitos do medicamento ou usaram doses não recomendadas. Ela defende que o ideal é usar a cloroquina no início dos sintomas.

“A hidroxicloroquina, azitromicina e zinco devem ser usados no início dos sintomas, antes do paciente ficar grave, que é a fase de replicação viral. O vírus tem uma fase de replicação, depois começa ter uma fase de inflamação e aí é quando tem o desastre que a pessoa vai pra UTI, entuba, tem problemas cardíacos, hepáticos, renais etc. Então nessa fase de replicação viral é melhor fase pra se usar uma dose baixa de medicação. Então você pode usar uma dose que vai entre 400 miligramas, duas veze por dia no primeiro dia, e depois usar 200 miligramas duas vezes por dia por quatro dias”, disse.

Sobre a toxicidade da cloroquina, Nise disse que nos estudos da Amazônia foram usadas doses venenosas do medicamento.

“Eles usaram doses venenosas nos estudos da Amazônia. Nos estudos do Brasil estão com doses altas. É a mesma coisa que dar uma dose alta de aspirina e falar que não vai mais usar aspirina”, complementou.

 

Médica defende o isolamento vertical

 

Nise sempre se posicionou a favor do isolamento vertical, ou seja, somente grupos de risco se isolam. Durante a entrevista ela sustentou a tese alegando que em Nova Iorque uma grande parte dos contaminados estavam isolados.

“Eu acho que máscara tem que ser todo mundo mesmo, distância social sempre, home office sempre que possível e os grupos de risco ficam em casa com cuidados e isolados. A questão do isolamento total é uma discussão. Em Nova Iorque agora eles viram que dos pacientes que foram internados nos hospitais 84% estavam em isolamento. Então o fato de estarem isolados não impediu de se contaminarem. Você isolar não resolve o problema”, explica.

 

Relação com Maringá

 

A médica Nise Yamaguchi nasceu e cresceu em Maringá. Ela vivia na Rua Arthur Thomaz e disse ao GMC Online que Maringá foi um berço para ela se tornar cientista.

“Maringá foi meu passaporte para a ciência. Tenho lindas lembranças de Maringá. Brincava muito em frente ao Grande Hotel perto da Catedral. Tenho pacientes em Maringá e amigas. Maringá Cidade Canção Mora no meu coração. Depois me mudei para Curitiba, depois São Paulo e aí comecei a viajar pelo mundo inteiro para estudar”, complementou.