Torneio reúne refugiados em Maringá

23/06/2019 / Atualizado em 26/10/2025 Por Victor Simião
Torneio reúne refugiados em Maringá

Por meio do esporte, uma linguagem universal, eles puderam se comunicar. Foi no campo no Jardim Alvorada. Na semana que vem tem a grande final. 

Até parecia uma Copa do Mundo. Várias línguas, dialetos e pessoas. Era o 1º Torneio Mundo Sem Fronteiras. Numa preleção antes da partida, o treinador explicava o que queria. A reportagem bem que tentou entender, mas não deu.

Claro, eles falavam em crioulo, uma das línguas oficiais do Haiti. O treinador do time composto por haitianos, Maquenzi, queria o melhor da equipe, ele explicou depois.

Seis times participaram da primeira fase do torneio, divididos em dois grupo A grande final é no domingo que vem no estádio Willie Davids. A organização é da Associação dos Estrangeiros Residentes em Maringá e Região. O torneio é para celebrar a amizade, explicou o Ronelson Furtado, de Guine-Bissau, presidente da associação.

Os times foram compostos por haitianos, angolanos, brasileiros. Gente que decidiu morar no Brasil em busca de um futuro melhor. O Luckson Charles está há seis anos no Brasil. Ele veio do Haiti. E em nossas terras fez a carteira de habilitação e o filho nasceu.

Quem acompanhava do lado de fora às vezes não entendia o que era falado. Mas, dentro do campo, o futebol era a língua, o encontro entre os povos.

Os brasileiros querem vencer, claro, mas a confraternização é o que importa, disse o William Ribeiro.

O haitiano Emanuel Pedrestin, que está no Brasil há nove anos, disse que todo mundo quer jogar contra os brasileiros. Apesar da competição, vale mesmo é brincar, falou.

Na primeira partida entre Haiti e África, o Haiti saiu na frente. E o pessoal estava levando a sério – pedindo cartão pro adversário, reclamando quando o impedimento era marcado. Do lado de fora, os reservas só observavam. O Pedro Queiroz, de Angola que joga no time da África, falou que o time dele estava perdendo porque o time estava se entrosando ainda.

Para criar amizades e diminuir as mazelas, o futebol é um aliado. Um torneio como o desse domingo poderia ser levado para o planeta todo. Quem sabe assim o mundo não se tornaria melhor e mais igual.