Economia
Rota dos Cafés Especiais abre caminho para modernização do setor de cafeterias em Maringá
Desde a criação da Rota dos Cafés Especiais de Maringá, as cafeterias da cidade passaram por um processo de modernização da gestão e formação de novos consumidores. Com a rota, os apaixonados por café experimentam uma nova forma de consumir a bebida, que faz parte da história do Brasil. E as cafeterias descobriram como a criatividade pode alavancar os negócios. Nesta reportagem especial sobre a Rota dos Cafés Especiais, você confere como tudo começou; o turismo e a gastronomia que acompanham a Rota dos Cafés, e a experiência do consumidor.
O café é a bebida mais popular do Brasil.
A mais consumida depois da água.
As primeiras mudas de café chegaram ao Brasil no século 18 e o grão se espalhou pelo território nacional impulsionando a economia.
O ouro verde abriu rodovias, estradas de ferro, ergueu cidades, atraiu imigrantes e elegeu presidentes da República.
O jornalista Rogério Recco, especializado em agronegócio, lembra como o norte do Paraná enriqueceu com o café.
A geada negra acabou com os cafezais do Paraná em 1975. E o café, que já estava em declínio no estado, foi substituído pelas culturas mecanizadas de grãos.
Com menos produção, o agricultor se voltou para a qualidade dos grãos na colheita. O mercado se tornava mais exigente. Era o início dos cafés especiais.
Mas a definição do que é um café especial vai mais longe.
Para Eduardo Kayapo, a definição de café especial pode variar de acordo com hábitos de consumo e cultura.
Eduardo é um Q-Grader, (Kiu-gréider ): um classificador internacional de cafés, uma espécie de sommelier de cafés.
Ele explica que uma característica do café especial é ter indicação geográfica, um certificado da origem de produção.
O café produzido em Mandaguari, pertinho de Maringá, tem indicação geográfica.
Com o café de qualidade cada vez mais presente no dia a dia dos apaixonados pela bebida, não demorou muito para surgir a Rota dos Cafés Especiais.
Primeiro vieram os festivais e as franquias.
E a ideia ganhou corpo na pandemia, entre empresários de torrefações, cafeterias e produtores, relembra Michael Tamura, empresário do setor e presidente do Conselho Municipal de Turismo.
A Rota nascia como ideia, mas era preciso planejamento e organização para transformar a proposta em iniciativa real.
Os empresários pediram ajuda ao Sebrae.
O gestor de projetos do Sebrae, Perseu Bastos, entendeu que a Rota dos Cafés Especiais tinha potencial para o desenvolvimento econômico e turístico de Maringá e região, e embarcou com os empresários numa jornada de aprendizado.
A Rota dos Cafés Especiais conta hoje com quase 30 integrantes, que também fazem parte de um Núcleo Setorial na Associação Comercial e Empresarial de Maringá.
A cidade também ganhou uma lei municipal que regulamentou a nota na escala de qualidade para determinar se um café é especial, disciplinou o credenciamento dos estabelecimentos cadastrados, com revisão anual e criou eventos oficiais.
Com criatividade, as cafeterias se modernizaram.
O café especial ganhou acompanhamentos em menus cada vez mais sofisticados.
Christiane Koyama, uma das empresárias que integram a Rota dos Cafés Especiais, incluiu no cardápio uma receita do Japão, que combina super bem com o cafezinho servido na cafeteria.
Foi do Japão também que veio a motivação para a publicitária Aletheia Hori entrar no ramo das franquias de cafés especiais.
Ela provou no outro lado do mundo cafés de qualidade tipo exportação.
E adivinha de onde?
Aletheia é franqueada de uma marca de cafeterias que planta, torra, envasa e distribui o próprio café.
As variedades produzidas atendem desde o consumidor mais comum ao mais exigente.
Aos poucos, a Rota dos Cafés Especiais vai conquistando mais apreciadores.
Elizabeth Sella ainda não é uma expert.
A cada dia ela aprende um pouco mais sobre a bebida.
Mas o que conta mesmo é a experiência de provar um café saboroso ao lado de pessoas queridas.
Um momento que aquece o coração.