Explorando a boa-fé
Pedintes criam mercado clandestino de marmitas em Maringá
Tem restaurante solicitando aos clientes que não comprem marmitas para doar na porta do comércio. A repórter Luciana Peña flagrou um pedinte revendendo uma marmita a R$ 10,00 na Praça Napoleão Moreira.
Nessa segunda-feira (3) um pedinte se aproximou de mim na Rua Neo Alves Martins, no centro de Maringá, e disse que estava “morrendo de fome”.
Pediu que eu comprasse um pão para ele comer.
Um apelo comovente.
Mas a história foi mudando aos poucos.
Em vez do pão, ele pediu uma marmita num restaurante ali próximo.
Pediu também um refrigerante porque estava com “muita vontade”.
Comprei apenas a marmita: arroz, feijão e frango: R$ 13,00.
Perguntei se ele ia comer ali mesmo já que estava morrendo de fome.
Ele disse que não, porque ia dividir a marmita com um primo que estava no Terminal Urbano.
Decidi seguir o pedinte para ter certeza que ele iria ao terminal.
Ele subiu pela Duque de Caxias, entrou na Praça Napoleão Moreira, sentou ao lado de dois homens na área de mesas da praça, conversou por alguns minutos e foi embora, sem a marmita que eu tinha acabado de comprar.
Cheguei perto dos homens sentados na praça e vi que um deles estava com a marmita na mão, almoçando.
Perguntei se ele tinha comprado daquele pedinte e quanto havia pago.
Ele disse que sim. Comprou por 10 reais.
Corri atrás do pedinte. [ouça o áudio]
Ser solidário é necessário, e há muita gente que realmente precisa de ajuda.
Mas há também uma espécie de mercado clandestino de marmitas.
O empresário Marco Antônio Silveira precisou solicitar aos clientes do restaurante dele, na região central de Maringá, que não comprassem marmitas para os pedintes que ficavam na porta do estabelecimento.
Há cartazes pedindo que os clientes não deem marmita na porta do restaurante e no caixa.
Muitos pedintes agem de má-fé, diz o empresário. [ouça o áudio]
Há muitas formas de ajudar pessoas que estão nas ruas. Uma delas é doando para entidades assistenciais cadastradas pelo município.