Na campanha digital não é só ver para crer

15/08/2024 / Atualizado em 25/10/2025 Por Gilson Aguiar
Na campanha digital não é só ver para crer

O que muda nesta campanha?

Ontem me perguntaram o que mudará nas campanhas eleitorais se compararmos os candidatos e suas posturas nas mídias tradicionais e nas redes sociais. Têm perfis distintos sim. E o homem público das redes sociais é espetáculo o tempo todo.

A performance daquele que se dedica a vida pública na mídia digital exige uma aparente penetração dos eleitores na vida íntima, testemunhadas por imagens e mensagens constantes nos ambientes de privacidade. 

O candidato no ambiente digital se mostra em situação pessoas produzidas previamente para demonstrar que é o produto embalado para a entrega ao eleitor até “escovando os dentes”. A mídia tradicional o poupava disso. Vida pessoal na vida pessoal é coisa de fofoca, hoje é comprovação atestada por imagens.

Logo, quem pensa que os aparelhos celulares e smartphones que captam as imagens são armas importantes de denúncia e testemunhas da verdade, são na prática meios corrompidos pela intencionalidade. Agora, tudo é medido para causar impacto. 

Uma eleição de “novidades” esquecidas.

O eleitor tem sede de acompanhar no mundo digital a carga de informação sobre personagens que lhe interessam. Ele está ávido por transformar o personagem e interesse para acompanhá-lo no cotidiano. Assim, a quantidade de informações terá que ser cada vez maior. O candidato é personagem em tempo integral. 

Enfim, a campanha eleitoral será mais artificial. Se terá que monitorar o candidato o tempo todo e em tempo real, também a sua aceitação pelos eleitores. Medir o desempenho de cada ato nas regiões onde o candidato tem interesse em saber se estão falando bem ou mal dele. 

Vamos dizer que estas eleições serão marcadas pelo controle da informação e o descontrole do que é informado. Também será uma campanha em que cada passo de candidatos e eleitores serão medidos e as campanhas vão mudar de rumo em tempo real. Tudo para vencer, diante de mecanismos que vão apontar o que se quer ouvir e não o que é necessário ser falado. 

O “velho político” em um novo ambiente.

O interessante também é que muitos homens públicos ainda estão se adaptando ao novo ambiente. O mundo da internet já era povoado por praticamente todos os candidatos, mas agora exigirá desempenho profissional, mais estratégia. O que leva à contratação de equipes especializadas em marketing digital, pessoas que transformaram o mundo da internet em um campo de existência apartado do mundo real.

Logo, o que não falta são assessores com celulares nas mãos acompanhando o candidato e usando o seu aparelho para captar, gravar e garimpar, depois fazer uma boa edição, e jogar ao mundo a melhor face daquele que se quer vender como opção. 

Esta eleição, concluo, será uma eleição para se ver muita coisa, mas se acreditar pouco no que se está vendo.