Mais que independência, precisamos descobrir o Brasil

8/09/2023 / Atualizado em 26/10/2025 Por Gilson Aguiar
Mais que independência, precisamos descobrir o Brasil

Não foi independência, foi permanência

A independência do Brasil, em 1822, é vista como um rompimento, o início de uma história do Estado Nacional. Porém, ela é um desdobramento da permanência em muitos sentidos.

Nestes caminhos que a história brasileira foi marcada, o que se pode lembrar já que temos pouco tempo, são as inúmeras revoltas que alimentaram o descontentamento da colonização portuguesa. Mas não revoltas que abarcassem o desejo de todas as partes do território colonial português.

As inúmeras revoltas se deram fragmentadas, em partes específicas em alguns lugares mais de uma vez. Não se queria um “Brasil” livre, mas, um Nordeste livre, um Sudeste livre, um Sul livre. As vezes uma província, hoje estado, ou mais de uma no máximo. Nascemos como povo muito mais regionais do que nacionais.

A pátria nasceu depois

Criamos o sentimento patriótico depois. Parte considerável dele pelo Estado centralizador que gerou mitos, forjou uma cultura oficial e institucionalizou a autoridade nos rituais burocráticos ou repressivos.

Ao longo de nossa história a democracia não nos é costumeira, mas historicamente rara. Nunca, porém, como agora, durante tanto tempo. Mesmo que, no decorrer de sua existência ameaçada.

Aos poucos esperamos que cada tempo amadureça o sentimento nacional que se estabeleça debaixo para cima. E com ele a participação efetiva das forças sociais dentro do estado pela representação.

Para isso, temos que nos aceitar como somos. Se não nascemos de uma ruptura e de mudanças, aos poucos fomos mudando. Agora, mais do que nunca, já há um Brasil bem diferente daquele que nasceu a 201 anos atrás.