Gilson Aguiar comenta a proposta de Joesley Batista
O empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, que está no centro de acusações feitas pela Procuradoria Geral da União contra o presidente Michel Temer, foi preso a pedido do procurador Rodrigo Janot.
Batista e o executivo Ricardo Saud foram pegos em gravação entregues a Polícia Federal falando em manipulação e suborno. O empresário e o executivo perderam os privilégios da delação que tinha acordado com a PGR. Teriam escondido informações. O que ficou provado com as gravações.
Agora, o proprietário da JBS quer trocar sua liberdade, a retomada do seu acordo de delação, por mais provas. Ele diz ter no exterior uma grande quantidade de gravações com homens públicos e que poderia entregá-las. Mas para isso que retomar seus privilégios.
A polêmica está lançada. Deve a Justiça aceitar a proposta de Joesley e trocar mais delações por privilégios ao delator? A resposta para esta pergunta é complexa.
A nossa capacidade de investigação é limitada. Não tanta pela vontade de policiais investigarem, mas dos que poderiam fazer provas sumirem.
Não podemos ser ingênuos de que o apartamento que guardava R$ 51 milhões de Geddel Vieira Lima é um caso isolado. Há outros lugares com quantias talvez maiores. Há muitos envolvidos.
Também não se pode considerar isolada a Medida Provisória aprovada pelo presidente Lula, quando presidente, para reduzir impostos sobre os automóveis, favorecendo montadoras. Outra prática antiga.
Logo, as informações de Josley são importantes para provar o que os mais conscientes já sabem. A corrupção e intensa, extensa e histórica. Ela está no sentido das empresas e dos homens públicos a procura de se dar bem pelo caminho mais curto e, pelo que tudo indica, em um país da impunidade, seguro.