Em três anos, Maia se desgastou pouco politicamente
Foto: CMM

Gestão Ulisses Maia: Finanças e Poder

Em três anos, Maia se desgastou pouco politicamente

Por Victor Simião em 20/11/2019 - 10:45

Embora tenha criado atritos com o hoje deputado estadual Homero Marchese, o prefeito não teve discussões públicas com adversários em Maringá. Gestão viveu algumas crises, mas manteve o núcleo duro. Alguns ex-aliados se tornaram independentes e querem mais espaço na política local. Por outro lado, pelo menos dois parlamentares que eram um grupo político diferente mudaram para o lado de Ulisses Maia.

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Caminhando para o último ano de mandato, o prefeito Ulisses Maia (PDT) não viveu grandes crises políticas no cargo - o que pouco desgastou a imagem dele perante a cena política. De 2017 até agora, foram registradas situações pontuais de atrito entre a gestão dele e alguns políticos - pelo menos publicamente. 

Na Câmara de Vereadores, o principal adversário de Maia saiu neste ano. É Homero Marchese (Pros), hoje deputado estadual. Eleitos na mesma chapa na eleição municipal, a situação começou a mudar ainda em 2017. Marchese começou a fazer críticas à forma de governo de Maia. O parlamentar dizia que era pouco transparente e intransigente. 

O PV, sigla a qual Marchese estava filiado, era e é um partido aliado de Maia. O diretório municipal abriu um processo de cassação de mandato internamente. Além disso, a sigla conseguiu a criação de uma comissão processante dentro da Câmara para investigar o então vereador, ainda em 2017. Após uma série de sessões, a CP foi anulada pela Justiça em 2018.  Marchese diz que as críticas surgiram após ele notar o que ele chama de populismo de Ulisses Maia.

No ano passado, em outubro, houve um outro momento de tensão. Um ex-assessor teve um áudio divulgado. Era um registro de conversa entre ele e um irmão do prefeito de Maringá. Esse assessor, que tinha sido exonerado, informava ter obtido R$ 500 mil via caixa 2 para a campanha eleitoral, em 2016. 

Depois, ele divulgou um vídeo dizendo que tinha bebido demais e ingerido remédios , e que era uma brincadeira. A Prefeitura, na época, emitiu nota dizendo estar aberta a explicação e reforçou que o próprio ex-assessor havia dito se tratar de uma brincadeira. 

Uma CPI chegou a ser proposta na Câmara de Maringá, mas não foi adiante. Alguns vereadores protocolaram um pedido de investigação no Ministério Público de Maringá. A informação, agora, é a de que um inquérito está na Polícia Federal.  

Na Câmara de Vereadores, dos 15 parlamentares, atualmente quatro podem ser considerados como, se não de clara oposição, pelo menos  de fora da base do prefeito: Chico Caiana (PTB), William Gentil (PTB), Dr Jamal (PSL) e Jean Marques (PV). Esse último foi até o início deste ano o líder de Maia na Câmara, mas deixou o posto. 

Esses vereadores são os mais críticos ao Governo Maia - postam vídeos nas redes sociais e fazem discursos contrários a algumas decisões da Prefeitura. 

Por outro lado, nesse período, a gestão Maia conseguiu trazer para o lado deles os vereadores Alex Chaves - que se filiou ao MDB recentemente, comandado agora pelo vice-prefeito Edson Scabora; e Odair Fogueteiro, que se filiou ao PDT, presidido em Maringá pelo secretário de recursos Humanos da Prefeitura, César França. Esses dois parlamentares foram eleitos na chapa do adversário de Maia na campanha, o ex-prefeito Silvio Barros. Chaves, aliás, se tornou o líder do Governo na Câmara. 

Dentro do Paço Municipal, algumas secretarias passaram por mudança, mas que não resultaram em algum tipo de crise. As saídas de Aracy Reis, da pasta da Mulher em 2018, e de Valkiria Trindade, da Educação, em fevereiro de deste ano, movimentaram as rodas políticas. Aracy emitiu nota dizendo ter sido demitida por decisão política. Valkiria não quis se pronunciar oficialmente, mas a informação de bastidor é de que os problemas com a falta de vagas em creche e a  denúncia de assédio sexual envolvendo um professor foram as razões que desgastaram o trabalho dela na pasta. 

A Secretaria de Gestão teve três secretários antes de o atual, Clóvis Melo, assumir o posto. Orlando Chiqueto segue na Fazenda desde o início, assim como Domingos Trevisan, na chefia de Gabinete do Prefeito. Os dois são considerados os mais fiéis a Maia - defendendo medidas do prefeito que, vez ou outra, são criticadas publicamente. 

Dos políticos que passaram pela gestão, pelo menos um se tornou crítico feroz: o advogado Eliseu Fortes Alves. Ele atuou no mandato como diretor de Gabinete e Controlador Geral, mas saiu em outubro de 2017. Desde então, vem fazendo duras críticas à Prefeitura e já disse ser pré-candidato à Prefeitura de Maringá. À CBN, Alves afirma estar completamente decepcionado, e que a administração prometeu muito e fez pouco.

Outro que passou pela gestão e diz ser pré-candidato é o advogado Rogério Calazans. Ele chefiou o Procon e a Secretaria de Gestão. Saiu neste ano, alegando motivos pessoais. Calazans não costuma criticar publicamente a atual administração. 

Por parte do grupo político do deputado federal Ricardo Barros, adversário da eleição passada, a relação tem sido cordial, sem críticas ou ataques públicos. Tanto Maia quanto Barros dizem que querem o melhor para a cidade. 

Publicamente, Maia disse várias vezes que o trabalho era para a população como um todo. Um exemplo: no segundo turno da eleição presidencial em 2018, ele não declarou apoio público. Mas, após a vitória de Jair Bolsonaro, disse que era um sinal de mudança dado pela população. Quando questionado pela CBN se não tinha medo de ser rechaçado por membros do PDT e de grupos mais à esquerda em Maringá, que deram suporte para a eleição dele em 2016, o prefeito disse que o foco é a cidade, não grupos ideológicos.

A reportagem da CBN Maringá tentou ao longo dos últimos dias gravar uma entrevista com Ulisses Maia sobre a série de reportagens produzidas pela emissora. O convite não foi aceito. 

Apesar disso, em um café da manhã com jornalistas, realizado na semana passada no Paço Municipal, ,uma questão não pôde faltar ao prefeito. Na avaliação dele, qual é o principal adversário político: o deputado estadual Homero Marchese ou o Observatório Social de Maringá?  

É Que Observatório tem sido crítico à administração. Em vários momentos a entidade disse que o município não tem apresentado como deveria as licitações. A organização também já apontou preocupação com gastos, por exemplo, com a  Maringá Encantada, o natal realizado pelo poder público. O governo municipal, por outro lado, afirma que é investimento para a população e que tem havido retorno financeiro. 

Homero Marchese ou Observatório Social? A resposta de Ulisses Maia foi a seguinte:

A pouco menos de um ano para a eleição, ainda há muita movimentação no tabuleiro da política local.

 

Dando sequência a esta reportagem, assista à entrevista com o vereador Sidnei Telles, presidente da Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara Municipal de Maringá, que fala sobre a prestação de contas do poder executivo municipal.  

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