Eleição presidencial de 1989

6/09/2022 / Atualizado em 25/10/2025 Por Reginaldo Dias
Eleição presidencial de 1989

Em 1989, após quase três décadas, realizou-se eleição direta a presidente da República. O regime militar havia estabelecido que o mandato do sucessor do general Figueiredo seria de seis anos. Durante a Constituinte, pautou-se a antecipação da eleição e o resultado negociado foi limitar o mandato do presidente Sarney para cinco anos. Além disso, os constituintes estabeleceram que a eleição teria dois turnos, caso o candidato mais bem votado não atingisse mais de 50% dos votos válidos. 

O governo Sarney, não obstante a elaboração de alguns planos de estabilização, não tivera sucesso em resolver a grave crise econômica legada pelos militares, caracterizada pela disparada da inflação e da dívida externa. A eleição presidencial colocou em pauta quais seriam as terapias para solucionar a crise.

Iniciado o certame, os candidatos dos partidos que sustentavam o governo Sarney ficaram fragilizados. Candidato pelo PMDB, o deputado Ulisses Guimarães, lenda viva da política brasileira por seu papel na resistência democrática e na direção da Constituinte, ficou em sétimo lugar, obtendo apenas 4,7%. O PFL, formado pela dissidência do PDS que apoiou Tancredo e Sarney em 1985, lançou o Aureliano Chaves, que obteve menos de 1% dos votos, chegando em nono lugar. Melhor sorte teve Paulo Maluf, candidato derrotado por Tancredo Neves no colégio eleitoral. Novamente candidato pelo PDS, Maluf chegou em quinto lugar, obtendo 8.8%.

No plano partidário, a principal novidade era o PSDB, constituído por respeitáveis líderes do antigo MDB. O candidato do PSDB foi Mário Covas, que chegou em quarto lugar, obtendo 11%.

Uma das vagas ao segundo turno foi disputada no interior do campo trabalhista, polarizando as lideranças de Leonel Brizola (PDT) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Por uma pequena margem, Lula chegou em segundo lugar, obtendo 17,2%, enquanto Brizola totalizou 16,5%, ficando em terceiro.

O líder do primeiro turno foi o jovem governador de Alagoas, Fernando Collor de Mello, com 30% dos votos. Collor impactou o eleitorado com um forte discurso de moralização da máquina pública e com a imagem do homem forte que vinha para moralizar o sistema político.

No segundo turno, houve polarização de projetos. Por um lado, Collor apresentou um projeto liberal, que defendia a abertura ao capital internacional e a privatização das empresas públicas. Por outro lado, Lula apresentava um projeto trabalhista, baseado na defesa do papel estratégico do Estado, e em política internacional de viés nacionalista e em reformas sociais.

Outra dimensão da disputa ocorreu quando Collor instrumentalizou os símbolos nacionais em benefício próprio, procurando fragilizar a candidatura de Lula, propagando dizeres como “nossa bandeira é verde e amarela e nunca será vermelha”.

Contando com o apoio de Brizola e Covas, terceiro e quarto colocados no primeiro turno, o candidato Lula atingiu o índice de 47% dos votos. Não foi suficiente para ultrapassar Collor, que liderou os dois turnos e foi o vitorioso, na fase final, com 53% dos votos.

Fazia tanto tempo que não ocorria eleição direta para presidente que nenhum dos dois finalistas, Lula e Collor, tinha idade para votar em 1960, no último certame de voto direto para presidente antes de 1989.

Fernando Collor de Mello

Histórias das Eleições vai ao ar de segunda a sexta, às 11h40 e às 15h35.

Quer enviar sugestão, comentário, foto ou vídeo para a CBN Maringá? Faça contato pelo WhatsApp (44) 99877 9550