CPI da Saúde “expande” foco após depoimento de secretário

25/06/2020 / Atualizado em 24/10/2025 Por Victor Simião
CPI da Saúde “expande” foco após depoimento de secretário

Coronel Paulo Carstens, da Secretaria de Patrimônio, disse que havia problemas de corrupção na gestão anterior. Comissão solicitou documentos à Prefeitura de Maringá.

A CPI da Saúde, criada para investigar as compras da Secretaria de Saúde de Maringá nos últimos 12 meses, decidiu expandir o foco. O motivo é uma declaração do secretário de Patrimônio, Logística e Compras da Prefeitura de Maringá, Paulo Carstens. Nesta semana, em depoimento à comissão, ele disse que a atual gestão encontrou problemas de corrupção, feitos pela governo municipal anterior.

Entre outros problemas, Carstens citou o contrato entre uma empresa chamada Sinax e a Prefeitura de Maringá, que teria recebido mais de R$ 2 milhões na gestão passada por algo que não valia essa quantia. [ouça no áudio acima]

A CPI da Saúde foi criada após o secretário de Saúde de Maringá, Jair Biatto ter dito, em maio, que a prefeitura pagava mais caro nos produtos adquiridos. Em depoimento, o coronel Paulo Carstens disse desconhecer o pagamento de até três vezes mais em produtos por parte do município. O próprio secretário da Saúde explicou depois que a fala era referente a dois motivos: burocracia e demanda de produtos.

Pelo fato de ter apontado problemas de contratos nas gestões anteriores, a CPI pediu mais documentos à Prefeitura de Maringá, explicou o presidente da comissão, vereador Flávio Mantovani. [ouça no áudio acima]

Paulo Carstens foi a primeira pessoa ouvida pela comissão. Ele foi convocado porque a pasta dele é a responsável por várias compras da Prefeitura, incluindo itens comuns a várias secretarias. Segundo o policial militar da reserva, há cotações de preços e controle rígido. O secretário considerou que Jair Biatto usou uma força de expressão.

O coronel da reserva também falou que a atual administração tem lutado contra a corrupção no poder público.

Os vereadores que fazem parte da CPI são Flávio Mantovani, na presidência, Sidnei Telles, na relatoria, e os membros Alex Chaves, Mário Verri e Chico Caiana. A CPI tem prazo de 90 dias para apresentar um relatório. A comissão pode ser prorrogada, depois, em mais 45 dias.

A Prefeitura de Maringá tem dito que apoia a comissão no que for preciso para que tudo seja esclarecido da melhor forma possível. Até o início da noite desta quinta-feira (25), o Executivo não tinha recebido a solicitação de documentos.

A CBN não conseguiu contato com a Sinax. A empresa é investigada na Justiça. O caso veio à tona em 2017, em uma operação do Gaeco. Na época, a empresa informou estar disposta a colaborar na Justiça. A CBN tentou contato com o ex-prefeito Roberto Pupin (2013-2016), mas ele não atendeu a ligação e não respondeu a mensagem até o fechamento da reportagem.

Atualização às 19h: O ex-prefeito Roberto Pupin respondeu dizendo não ter nada a comentar no momento.