Pretos e pardos

Cotas raciais podem ser aprovadas na UEM no Dia da Consciência Negra

19/11/2019 / Atualizado em 23/10/2025 Por Victor Simião
Cotas raciais podem ser aprovadas na UEM no Dia da Consciência Negra
"Neste mês, proposta foi aprovada na Câmara de Gradução"

Assunto será discutido no Conselho de Ensino e Pesquisa nesta quarta-feira (20). Para professores, é um momento histórico para a Universidade Estadual de Maringá.

O 20 de novembro é celebrado como o dia da Consciência Negra. A data é atribuída ao dia em que Zumbi dos Palmares teria morrido, em 1695. Zumbi foi um dos principais líderes negros durante a escravidão no Brasil. É em meio a um dia com essa carga simbólica que a Universidade Estadual de Maringá irá votar a aprovação ou não das cotas raciais. O Conselho de Ensino e Pesquisa é quem avalia. São 144 professores, coordenadores de cursos de graduação e pós graduação. Para a proposta ser aprovada é necessário ter maioria simples.

Essa ação afirmativa já foi aprovada numa instância inferior, a Câmara de Graduação, no início deste mês . Houve discussões acaloradas e alteração da proposição original. Após muito debate, o que ficou decidido foi: 20% das vagas do vestibular para negros - grupo composto por pessoas pretas e pardas. Dentro desse recorte, 15% devem, também, se enquadrar em critérios socioeconômicos como ter renda per capita de um salário mínimo e meio. É essa a proposta que o CEP votará.

Um ato está marcado por movimentos sociais durante a votação, na tarde de desta quarta-feira (20).

No Paraná, a UEM é a única universidade pública sem nenhum tipo de ação afirmativa para pessoas negras. O que a instituição tem é a cota social - que envolve critérios socioeconômicos.

A professora Marivânia Araújo, que faz parte do Núcleo de Estudos Interdisciplinares Afro-brasileiros, considera esse momento histórico: no dia 20 de novembro a UEM pode implementar o sistema de cotas raciais. É muito significativo, diz ela.

Todos os anos entram três mil novos alunos na Universidade Estadual de Maringá. Desse total, 80% são brancos - o restante é composto por negros e indígenas.

Durante a votação no CEP, a proposta vinda da Câmara de Graduação será debatida. Segundo assessoria da universidade, pode haver alteração.

O professor Delton Felipe, do departamento de História da UEM, considera o sistema de cotas raciais como uma forma de buscar a igualdade.

Se for aprovado como está, o sistema de cotas raciais já passa a valer para o próximo vestibular. Daí, do total de vagas, 20% serão para cotas sociais e 20% para as raciais. O restante, para ampla concorrência.