Quanto custa a vida
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Opinião

Quanto custa a vida

Por Gilson Aguiar em 02/09/2019 - 07:44

A grande maioria das pessoas diria que a vida não tem preço. Contudo, vale lembrar que o valor da vida é dado por cada um. Quem vive sabe o peso e a leveza de existir. Tolice criar um padrão de valor e querer impor para que seja garantida a cada um não abrir mão da sua vida. Não por acaso, os números de suicídios no Brasil assustam e crescem.

Levantamento do Ministério da Saúde, de 2018, com dados de 2016, mostra um crescimento de 2,3% de suicídios no Brasil por ano. Só entre homens, o crescimento foi de 28%. Os adolescentes são as principais vítimas. Os indígenas o grupo de maior ocorrência. Em período de desemprego há uma tendência de aumento dos casos.

Na região da Amusep, o número de casos de suicídio foi de 94. A maioria homens, 70. A faixa de idade de maior ocorrência é entre 15 e 29 anos. No Brasil, em 2016, foram 11.433 casos. Um suicídio a cada 45 minutos. É preciso compreender a gravidade dessa situação.

O levantamento do Ministério da Saúde mostra que as capitais com maior incidência são Manaus, Campo Grande, Boa Vista, Teresina, Porto Alegre e Florianópolis. Logo, não há um ambiente geográfico determinante. O problema está de norte a sul do país. As condições em que o suicídio ocorre é muitas vezes associado a discriminação que os adolescentes passam durante a infância ou a conduta que resolvem assumir. Pouco compreendidos e muito julgados, acabam pressionados. O suicídio se torna uma saída.

Durkheim, sociólogo clássico, francês, estudou o suicídio e dedicou a ele uma de suas principais obras. Neste trabalho, considera que há dois tipos de suicídio, o que ele chama de altruísta, aquele que valoriza a conduta social e demonstra o quanto ela pesa na conduta particular, levando ao suicídio, e o egoísta, aquele que demonstra a completa ausência de valor, o indivíduo se suicida por não ter uma orientação determinante para suas ações.

Cálculo que estamos mais para os suicídios egoístas do que altruístas. Vivemos a superficialidade das redes sociais. Vivemos para cumprir modelos prontos e industrializados. Não conseguimos compreender que os seres humanos não são perfeitos e felizes o tempo todo como as redes sociais demonstram. Somos impulsionados por ser aceitos com padrões estabelecidos de forma desumana. Acreditamos na felicidade permanente e a estética perfeita. Isto é falso. 

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