Gilson Aguiar: 'falta de planejamento mata'
Imagem ilustrativa/Pixabay/domínio público

Opinião

Gilson Aguiar: 'falta de planejamento mata'

Por Gilson Aguiar em 05/07/2018 - 08:22
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Um levantamento da 15ª Regional de Saúde, sediada em Maringá, mostra o crescimento da mortalidade infantil, principalmente antes do primeiro ano de vida. Em comparação com os 12 meses do ano passado, o crescimento já foi de 26% de forma geral e 66% com crianças que tinham seis dias de vida.

O que leva a morte de bebês? É que se despreza a vida antes mesmo que ela seja gerada ou em sua geração. Levantamento do Ministério da Saúde mostra que 49% das gestantes não planejaram ter um filho. O percentual é maior entre adolescentes, 80%. A grande maioria das mulheres que não planejaram sua gravidez está na população de risco ou tem baixa renda, 72%.

Segundo levantamento feito pela 15ª Regional de Saúde, as mortes das crianças de forma prematura está relacionada à falta de cuidados durante a gravidez. Muitas nascem com problemas adquiridos pelo comportamento materno ou falta de prevenção, pré-natal. A natalidade entre a população de baixa renda aponta a relação entre a condição econômica e problemas na primeira infância.

Segundo levantamento feito pelo professor e pesquisador, o ginecologista da Unicamp, Luis Guimarães Bahamonde, um terço dos filhos de mulheres que estão em situação de risco nascem prematuros. O mesmo pesquisador aponta que o custo da gravidez indesejada no Brasil é de R$ 4,1 bilhões por ano. Levam-se em consideração todas as despesas de tratamento e o que acarreta ao longo da vida o não planejamento da gestação. O abandono vai além do nascimento.

Na busca de combater a falta de planejamento familiar, o SUS distribui gratuitamente mais de seis tipos de anticonceptivos. Na 15ª Regional de Saúde há programa de conscientização com palestras e orientações para as mulheres. A violência contra a mulher também deve ser contado com fator determinante de uma gravidez não planejada.

Temos que aprender a administrar o corpo. Ter consciência de que a sexualidade responsável não tem que colocar em risco a vida de outros. Se queremos um futuro melhor, ele passa pela capacidade de controle de nossos atos. Em destaque evitar uma gestação e uma natalidade não planejada. Pior que abortar é rejeitar. Pior que se negar a ter é ter e não se responsabilizar. Há uma demagogia no discurso de que devemos preservar a vida, de quem uma gravidez deve sempre ser bem vinda, não é. Tem muitas crianças que vivem hoje em um ambiente de risco por não terem sido planejadas, são indesejadas.

Muitos dos acidentes com crianças ocorrem dentro do ambiente doméstico por descuido. Em sua maioria são filhos não planejados. Abandonar é uma prática de quem fez sem querer, pariu sem desejar e rejeita ao criar. O resultado de uma vida assim não será bom. Se queremos ter filhos, devemos pensar na complexidade de criá-los, na renúncia no ato de cuidar e se dedicar a educá-los. Na atualidade, o mais sincero para quem não quer se incomodar com o outro, não deseja sair de seus interesses por ninguém, é não ter filhos.